MOVIMENTO ÁGUA PARA SÃO PAULO – MAPSP

“Ajudando a natureza a melhorar o abastecimento de água na maior cidade brasileira”

 

O Brasil tem em seu território 12% da água doce do planeta. Entretanto, 80% do potencial hídrico brasileiro está localizado na região Norte, enquanto outras regiões como o Nordeste e áreas metropolitanas no Sudeste vivem situações de escassez. É o caso da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) – o maior conglomerado urbano do país.

Com uma população de quase 20 milhões de pessoas, a Grande São Paulo tem uma demanda de água, hoje, 4% maior do que há disponível nos reservatórios que a abastece. Mais grave ainda: se nenhuma ação for tomada, em 2025 – com o aumento da população local projetado em 7% (ou 0,97% ao ano) –, este déficit poderá ser quase cinco vezes maior, podendo seus moradores e indústrias virem a sofrer as consequências da falta desse recurso vital.

 

O déficit hídrico aumenta a incidência de racionamentos e rodízios de abastecimento. Esta situação também gera dificuldades na obtenção de outorgas de uso da água por indústrias e pela agricultura e afeta, não apenas o bem estar das pessoas, como compromete o desenvolvimento econômico da região, que gera 20% do PIB do país.

Para reduzir o déficit hídrico da RMSP, governos municipais e estadual e comitês de bacias vêm investindo na conscientização da população, a fim de promover o consumo mais racional da água, e em obras de infraestrutura para ampliar a captação e para aumentar a eficiência dos sistemas, como, por exemplo, o aumento do bombeamento para o reservatório Biritiba e a implantação de captação do rio Juquiá. A raiz do problema, no entanto, ainda não foi atacada: proteger a vegetação e conservar a capacidade atual dos mananciais de captar, armazenar e filtrar a água que abastece São Paulo.

 

Uma das principais ameaças à continuidade do abastecimento de água com qualidade para a população e para a indústria é a degradação dos mananciais. A cobertura de florestas nos mananciais que abastecem a Grande São Paulo se resume a 38%, ou seja, mais de 60% da cobertura vegetal das bacias foram removidos, como resultado da urbanização desordenada e da conversão de florestas para a expansão agrícola e pecuária extensiva.

As florestas têm uma importância vital na proteção dos mananciais, pois são elas as responsáveis por filtrar a poluição e estabilizar o clima e os fluxos de água. Sem o bloqueio da vegetação, a chuva e os ventos levam terra, lixo e outros sedimentos para dentro dos rios e reservatórios que se enchem de entulho e passam a ficar cada vez mais rasos. Esse processo é conhecido como assoreamento. Com o tempo, a quantidade de água diminui e a qualidade piora, comprometendo o abastecimento de água em períodos de seca e agravando as enchentes e estiagens que impactam, principalmente, a população mais pobre.

Essas ameaças afetam todos os sistemas de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, incluindo os principais: Cantareira, Alto Tietê-Cabeceiras e Alto Tietê-Guarapiranga/Billing

 

O Movimento Água Para São Paulo propõe criar uma coalizão de atores-chave para equacionar o desequilíbrio hídrico, a partir da restauração das áreas desmatadas e da conservação das matas existentes no entorno dos rios e reservatórios da região. Sua missão, portanto, é CONSERVAR E RESTAURAR AS ÁREAS CRÍTICAS PARA A PRODUÇÃO DE ÁGUA, DA QUAL AS PESSOAS E EMPRESAS DA REGIÃO METROPOLITANA DE SÃO PAULO DEPENDEM.

“A engenharia tradicional, que envolvem obras de construção de novas estações de tratamento e tubulações, não consegue, sozinha, responder ao aumento de demanda por água em São Paulo. As bacias hidrográficas que hoje são fornecedoras de água para a região metropolitana também não conseguem mais prestar o ‘serviço’ de fornecer água limpa e em quantidade suficiente para a população e para a indústria. Por isso, é necessário melhorar a infraestrutura verde, isto é, é preciso restaurar áreas degradadas e proteger a vegetação existente. É das florestas que vem a sua água.
João Campari, diretor do Programa de Conservação da Mata Atlântica e Sanavas Centrais da TNC.

 

A partir da sensibilização da população e da articulação de parcerias com setores público, privado e também da sociedade civil, a TNC pretende implementar soluções inovadoras para aumentar a oferta de serviços ambientais – como a redução de aporte de sedimentos e nutrientes aos rios, a regulação de fluxo hídrico, e a mitigação dos impactos das mudanças climáticas – e garantir o fornecimento de água para a Região Metropolitana de São Paulo.

 

Movimento Água para São Paulo foi idealizado a partir de uma experiência bem-sucedida implementada em 2006, na cidade de Extrema, município mineiro localizado na divisa com São Paulo e um dos mais importantes fornecedores de água para o sistema Cantareira. O projeto Conservador das Águas, implementado pela prefeitura de Extrema, faz parte de uma plataforma global da The Nature Conservancy (TNC) para proteção de Bacias Hidrográficas prioritárias para o abastecimento de grandes centros urbanos, a Aliança Fundos de Água, e é baseada na ideia simples de que a provisão da água pelas florestas tem um valor econômico. Portanto, é um serviço que pode ser pago por quem se beneficia dele – os usuários de água – e recebido por quem restaura ou preserva a mata – os proprietários rurais.

Por meio do projeto, mais de 100 proprietários rurais vêm sendo pagos por ajudar a restaurar e conservar 1.750 hectares de florestas. Além disso, o projeto já direcionou cerca de R$5 milhões de fundos públicos àqueles que aderiram a ele, e tem o potencial de catalisar ainda mais recursos. E mais do que isso: esse piloto já foi institucionalizado com forte governança pública – município de Extrema gerencia o programa, a partir do extenso aprendizado adquirido na parceria com a TNC e com a ANA e do apoio inicial de diversas empresas.

 

Em 10 anos, a expectativa é que Movimento Água para São Paulo possa:

Reduzir em 50% o aporte de sedimentos nos dois principais sistemas hídricos de São Paulo: o Sistema Cantareira e o Alto Tietê.
Restaurar 12 mil hectares de Mata Atlântica em áreas prioritárias para a produção de água.
Conservar 150 mil hectares de remanescentes de floresta.
Melhorar as práticas agrícolas adotadas em 2.500 hectares de área produtiva.
Reduzir em 15 % o custo de tratamento de água nos Sistemas Cantareira/Alto Tietê
Capacitar 15 governos municipais em projetos de conservação de mananciais..
Direcionar 10% do volume total arrecadado pelo Comitê de Bacias do PCJ e 50% no Alto Tietê para ações de infraestrutura verde.

 

Porque o Movimento é bom para você?

Porque ajudará a garantir o fornecimento contínuo de água de boa qualidade para a população de São Paulo;

Porque aumentará a consciência de que a água é um recurso escasso e que precisa ser bem utilizado;

Porque ajudará a garantir o fluxo hídrico: água disponível em períodos de seca e controle das enchentes em épocas de chuva.

Por que o Movimento é bom para as empresas?

Porque reduz o risco operacional, regulatório e reputacional.

A operação efetiva de uma empresa requer um suprimento regular de água na quantidade certa, na qualidade mínima, com disponibilidade durante todo o tempo e com o preço competitivo. Além disso, a falta da disponibilidade de água pode dificultar a obtenção das outorgas de uso de água por indústrias, afetando o desenvolvimento da região e do negócio.

Por que o Movimento é bom para os governos e comitês de Bacias?

Porque aumenta a capacidade de gestão das bacias hidrográficas.

O Movimento disponibilizará estudos e pesquisas que podem apoiar na tomada de decisões e ajudar a direcionar os investimentos para as áreas prioritárias para a produção de água.

Por que o Movimento é bom para os proprietários rurais?

Porque ajudará na regularização ambiental das propriedades rurais, gerando uma renda extra (o Pagamento por Serviços Ambientais) para o produtor rural que se comprometer a proteger as áreas identificadas como prioritárias para “produção de água” (florestas de beira de rio, áreas de recarga, cabeceiras e encostas).

Além disso, ao proteger as matas o produtor rural estará ajudando a garantir a água para os processos produtivos das propriedades, e ao adotar boas práticas de manejo do solo ele poderá controlar os processos erosivos mantendo a disponibilidade de solo para a produção.

 

1. Procure conhecer as suas fontes de água
2. Promova o consumo consciente
3. Engaje-se no Movimento Água para São Paulo compartilhando esta ideia em suas redes sociais
4. Torne-se um embaixador da TNC!
Você é parte da solução para garantir o abastecimento de água da maior cidade brasileira!