Evento discute governança e planejamento territorial na Bacia do Tapajós

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Com realização da TNC e apoio da Gordon and Betty Moore Foundation, o evento “Diálogos Tapajós: Infraestrutura e Perspectivas Territoriais” reuniu algumas das principais organizações atuantes na Bacia do Tapajós no dia 10 de Maio, em Belém. O objetivo foi o de promover uma discussão entre tomadores de decisão e pesquisadores de diversos setores, para construir um diálogo abrangente sobre os desafios de como se aperfeiçoar o planejamento do território, a partir da adoção de uma visão mais estratégica e compartilhada, que incorpore ações e investimentos antecipados, estabelecendo um modelo de desenvolvimento da infraestrutura para a região, mais inclusivo e sustentável.

A programação incluiu análises sobre como o planejamento territorial tem incorporado os custos de mitigação de impactos socioambientais e econômicos na região, e sobre o processo de licenciamento ambiental para projetos de infraestrutura, considerando os povos indígenas e as comunidades tradicionais locais. Também, foram apresentados e debatidos os mecanismos financeiros necessários para consolidar um ordenamento e planejamento do território mais eficaz e abrangente.

A participação efetiva de todas as organizações presentes também enriqueceu o debate levantando temas como a importância da união dos diversos setores, trabalhando juntos não só para construir uma visão compartilhada nos projetos de infraestrutura, mas também para garantir que no processo de implementação das ações as diversas vozes e decisões acordadas sejam devidamente cumpridas. Roberto Araújo, pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi, destacou que “nunca se viu tanto diálogo no Tapajós. É essencial tornar o processo participativo e inclusivo, mas também construir decisões que considerem realmente os processos de discussão. É preciso qualificar a governança e garantir que as consultas aos diversos atores sejam efetivas na implementação dos projetos.

“A Coordenadora de Conservação e Desenvolvimento da TNC, Karen Oliveira, lembrou a importância de promover a conservação da biodiversidade na Bacia do Tapajós. “É uma região com uma diversidade biológica sem igual, numa área de transição entre o Cerrado e a Amazônia, com uma forte presença de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais mas que, ao mesmo tempo, com vários grandes projetos de infraestrutura chegando. É um território onde tudo está acontecendo, por isso é um lugar tão único. É um grande desafio e uma oportunidade de demonstrarmos que é possível conciliar desenvolvimento e conservação”. Um desafio que depende da união dos diversos setores em atividade na região, para que seja possível fortalecer o diálogo e estabelecer ações efetivas, capazes de gerar crescimento socioeconômico e proteger a uma das mais dinâmicas bacias hidrográficas da Amazônia.