Árvore queimada após incêndio na região do Rio Tapajós, no Pará, no ano de 2017.
Ávores e cinzas Árvore queimada após incêndio na região do Rio Tapajós, no Pará, no ano de 2017. © Flavio Forner

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Floresta sem fogo

É possível criar alternativas para melhorar a produção sem precisar usar o fogo no manejo de propriedades rurais.

Em 2019 o desmatamento na Amazônia aumentou em 30%, comparado com as taxas de 2018, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Essa perda de florestas também atingiu às Terras Indígenas, que totalizaram 44 mil hectares desmatados em um ano, um aumento de 60% em relação ao ano anterior, onde as principais áreas afetadas estão localizadas nas bordas dos territórios, em locais de fronteira com áreas privadas produtivas.

Somente no estado do Pará, o desmatamento total teve um aumento de 41% e somou 97 mil hectares em 2019 e, nas Terras Indígenas do estado, a taxa cresceu 160% no mesmo período, totalizando 34,7 mil hectares. O cenário foi agravado pelo aumento de 83%, apenas no mês de agosto, no número de focos de calor, historicamente relacionados ao desmatamento ilegal na região.

O território amazônico possui 389 Unidades de Conservação em uma área de 129 Milhões de hectares, além de 424 Terras Indígenas que ocupam 110 milhões de hectares, quase 22% da região. Juntas, as Unidades de Conservação e as Terras Indígenas conservam 96% de sua cobertura florestal original e concentram cerca de 65% dos estoques de carbono da Amazônia brasileira. Mas o desmatamento ilegal e queimadas sem regularização ambiental em áreas privadas no entorno dessas reservas acabam afetando as áreas conservadas de uma maneira descontrolada.

A TNC acredita que é possível conciliar conservação da natureza, desenvolvimento econômico e social e construir uma visão compartilhada para a Amazônia e seus milhões de habitantes. Entender as ameaças e enxergar as oportunidades no território e fazer a transição para um modelo econômico que valoriza e garante os direitos dos povos indígenas e das comunidades tradicionais é fundamental para a sustentabilidade das atividades produtivas, além de preservar a biodiversidade e combater as mudanças climáticas.

A campanha Floresta Sem Fogo mostra alternativas produtivas para o manejo de áreas produtivas sem uso do fogo. Existem opções mais vantajosas para o produtor rural, com referências de experiências já testadas e comprovadas na região, com base científica e respeitando e compreedendo as diversas abordagens para produção econômica e conservação da natureza na Amazônia.

A campanha Floresta sem fogo atua diretamente em 5 municípios polo da região sul do estado do Pará, com base em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais sobre algumas das regiões mais afetadas pelos incêndios florestais que degradaram vegetação nativa no ano de 2019. O polígono é formado pelos municípios de Altamira, São Félix do Xingu, Senador José Porfírio, Anapú e Tucumã.

Juntos, os 5 municípios somam mais de 27 mil hectares, em uma área que representa bem a diversa e complexa dinâmica amazônica de ocupação, produção econômica e conservação da natureza e da cultura tradicional das comunidades da região. É uma região com diversas áreas protegidas, incluindo Terras Indígenas, áreas de uso sustentável e de proteção integral, locais prioritários para comunidades tradicionais e para a proteger o patrimônio natural da Amazônia.