Restauração Florestal


A restauração florestal é o processo de auxílio ao restabelecimento de uma vegetação, que foi degradada ou completamente destruída, em direção a saúde e integridade do sistema.
O grande desafio é aplicar técnicas eficientes de restauração que auxiliem a recuperação da vegetação em grandes escalas e com qualidade. São muitos os benefícios gerados pela restauração da vegetação nativa, entre eles:

  • a reconexão de fragmentos florestais, conservando a biodiversidade e recursos genéticos
  • o aumento da cobertura florestal
  • a manutenção dos serviços ambientais (água, solo e clima), além de múltiplos benefícios socioeconômicos, como geração de emprego e renda

A TNC acredita e incentiva que além da vertente ecológica, a restauração pode trazer oportunidades econômicas não apenas na criação de empregos, mas também na geração de renda à produtores e populações rurais e também à empreendedores, que podem utilizar espécies economicamente atrativas em áreas onde esse tipo de produção é permitido por Lei.

Restauração, Água e Clima

As florestas e demais formas de vegetação nativa são partes essenciais da infraestrutura verde terrestre e desempenham papel fundamental no ciclo da água e na estabilização climática. Apesar disso, 30% da cobertura florestal mundial já foi desmatada, permanecendo apenas 15% de florestas nativas primárias. Com relação à recursos hídricos, estudos da TNC e parceiros mostram que a preservação e a restauração da vegetação natural do entorno de nascentes e mananciais geram um retorno de investimento positivo em segurança hídrica, pois garantem uma melhor qualidade da água e reduzem os custos de tratamento. No âmbito climático, as florestas absorvem CO2 da atmosfera, principalmente durante seu crescimento, contribuindo para a mitigação às mudanças climáticas.

A Experiência da TNC

Desde 2001 a The Nature Conservancy (TNC) desenvolve ações de restauração florestal com diversos parceiros, em áreas prioritárias para a produção de água e sustentabilidade agrícola. Ao longo desse tempo, já foram desenvolvidos trabalhos nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Pará. O objetivo é desenvolver projetos em macro escala, regional e estadual, analisando toda a paisagem, viabilizando a contínua provisão de serviços ambientais, estimulando políticas públicas, gerando emprego e renda local, e fomentando os distintos elos da cadeia da restauração, que vão desde a coleta de sementes, produção de mudas até a restauração e monitoramento da área propriamente dita.
Hoje, a restauração ainda não ocorre na velocidade e escala necessárias para atender o compromisso do Brasil com a Convenção do Clima (NDC) e o Plano Nacional de Restauração da Vegetação Nativa e, assim, garantir serviços ecossistêmicos necessários. Para isso a TNC tem realizado pesquisas para compreender melhor a cadeia produtiva da restauração florestal e desenvolvido planos de negócios estratégicos regionais, incentivando a restauração não só do ponto de vista da conformidade legal, mas também a fim de trazer benefícios econômicos reais para os proprietários rurais.

Teoria da Mudança

A TNC já contribuiu para restaurar cerca de 16 mil hectares no Brasil e  agora busca dar escala nessa importante agenda, de forma a contribuir para a restauração de milhões de hectares, dando suporte para a meta Brasileira (NDC) de restaurar 12 milhões de hectares até 2030.
Entendemos que para o trabalho de restauração ganhar escala é preciso ir além de atender as demandas legais de adequação ambiental de imóveis rurais. Mesmo continuando a trabalhar com mecanismos de comando e controle, é necessário criar uma nova vertente e trabalhar a restauração além das áreas exigidas por lei. Nesse contexto, notamos uma oportunidade de realizar a restauração em áreas degradadas e com baixa aptidão agrícola, trazendo de volta produtos madeireiros e não madeireiros, que existiram em regiões próximas à grandes mercados como, por exemplo, os grandes centros do Rio de Janeiro e São Paulo.
Surge, então, a nova restauração florestal que, além do olhar ecológico, engloba também a restauração com viés econômico, pensando em serviços ecossistêmicos e em produtos para o consumo humano. Com isso, esperamos, de fato, conseguir mudar paisagens e melhorar a conservação do solo, qualidade de água e aumentar a permeabilidade ecológica em áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade.