Cacau garante renda e preservação ambiental na Amazônia

O cacau, fruto nativo da Amazônia, tem mudado o cenário da região de São Félix do Xingu, no sudeste do Pará.


Pará | 05 de maio de 2017

Pequenos produtores da região estão recebendo apoio da The Nature Conservancy (TNC), maior organização ambiental do mundo, para cultivar o cacau em áreas degradadas como forma de restaurar a vegetação e ao mesmo tempo produzir mais. O município que já foi campeão nacional do desmatamento na Amazônia, por causa da expansão desordenada da agropecuária já há alguns anos está revertendo esse quadro graças a iniciativas como essas.  Além de ajudar o Brasil a cumprir o compromisso estabelecido na 21ª Conferência do Clima (COP21), em Paris, de redução absoluta de emissões de gases de efeito estufa para conter o aquecimento global, a atividade é de alta rentabilidade devido à demanda crescente por cacau para a produção de chocolate no mundo. Previsões do setor apontam que, até 2020, haverá um déficit de 1 milhão de toneladas de cacau.  

 

A iniciativa pioneira Cacau Floresta, projeto da TNC envolve atualmente 100 famílias de produtores no Pará. Em uma área de 400 hectares eles plantam em conjunto com outras espécies de árvores nativas (Jatobá, Ipê, Seringueira, Andiroba, Cajá e Copaíba) e culturas agrícolas (banana, açaí, mandioca, abacaxi e milho). Para capacitar e dar assistência técnica e rural aos participantes do projeto, a TNC criou três unidades participativas demonstrativas (UDPs) que funcionam como propriedades modelos.

 

“Poucas culturas trazem o triplo benefício que o cacau oferece”, avalia o biólogo e coordenador do projeto Cacau Floresta, Rodrigo Mauro Freire. “Além de gerar uma renda relativamente elevada aos produtores familiares, por causa da demanda nacional e global muito forte, traz maior qualidade de vida ao agricultor, pois é um fruto que cresce na sombra, aumentando o conforto climático no ambiente de trabalho. Ainda viabiliza a conservação e a restauração florestal”, analisa Freire.

 

Com o objetivo de fomentar uma agricultura familiar de baixo carbono, gerar benefícios sociais e econômicos e obter o comprometimento dos agricultores com o desmatamento zero e a restauração agroflorestal de áreas degradadas, foi feita uma parceria com a empresa Cargill, com a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC) e a Cooperativa de Produtores de Cacau (CAPPRU), no município de São Félix do Xingu (SFX), no sudeste do Pará para iniciar o projeto em 2012.

 

Com o programa, já foram garantidos 50% de expansão na capacidade de produção de sementes de cacau no campo experimental da CEPLAC em Tucumã, bem como um rendimento de mais de 5 milhões de sementes ao ano e também foram realizados diagnósticos ambientais nas propriedades que participam do programa.

 

Os primeiros resultados do projeto comprovaram que é possível preservar a natureza de forma economicamente viável e lucrativa. Entre 2013 e 2016, foi desenvolvido um modelo de produção sustentável de cacau em São Félix do Xingu para ser aplicado na região. A principal consequência foi elevar, em cerca de 30%, a renda das famílias que vendiam as amêndoas de cacau. Também estão em processo de restauração, aproximadamente  160 hectares de florestas em Áreas de Preservação Permanente (APPs).

 

Com isso, áreas degradadas são transformadas em Sistemas Agroflorestais (SAFs), método de cultivo em que diversas espécies nativas dividem espaço com produtos agrícolas. São plantadas árvores frutíferas, provedoras de óleos essenciais e sementes, além de espécies para fins madeireiros. Ao fazer o plantio de cacau conjuntamente com outras espécies florestais de alto valor econômico, é mantido um nível considerável de serviços ambientais gerados pela mata, como biodiversidade e sequestro de carbono, e garantem a alta produtividade e lucratividade da terra. Atualmente, os pequenos produtores que fazem parte do projeto já representam 312 hectares de SAFs.

 

A tendência é de crescimento e expansão. Até 2020, a área de cultivo do cacau produzido pelos participantes do projeto deve saltar para 5 mil hectares, dos quais, pelo menos, 2 mil serão em áreas de APPs restauradas. “Dar escala ao plantio de cacau aumentará a conservação e a restauração de florestas, além de melhorar a vida das pessoas no sudeste do Pará, que é uma área estratégica para a conservação da Amazônia”, analisa Freire.

 

Em 2016 a iniciativa ganhou um novo impulso com a assinatura do Pacto Cacau Floresta entre a TNC, pela Secretaria de Desenvolvimento da Agricultura e Pesca do Governo do Estado do Pará (Sedap) e pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), ligada ao governo federal. O pacto considera o projeto Cacau Floresta como referência para o estado e prevê investimentos para a expansão da iniciativa.

 

Os gestores do Cacau Floresta preveem que as organizações participantes devem investir recursos e capacidade técnica para elevar de 100 para 1 mil o número de famílias participantes da iniciativa Cacau Floresta. Mesmo porque também existe uma demanda interna da indústria cacaueira nacional para a produção de chocolates. O Brasil, apesar de ser hoje o sexto maior produtor de cacau do mundo, ainda não é autossuficiente para atender à sua própria demanda interna.

 

A oportunidade de negócios é a de o país ter as melhores condições para a expansão da produção em curto prazo, em virtude da grande disponibilidade de áreas com solos e clima adequados e da excelência de seus centros de pesquisas. Os estados da Bahia e do Pará são os maiores produtores nacionais de cacau, sendo o Pará considerado um dos principais polos de expansão da cultura, de acordo com análise da CEPLAC.


A The Nature Conservancy (TNC) é uma organização não governamental que desenvolve projetos de conservação em mais de 30 países. No Brasil desde 1988, a TNC tem como missão proteger plantas, animais e ecossistemas naturais que representam a diversidade de vida na Terra. A organização atua nos principais biomas brasileiros Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal. Para mais informações, acesse: tnc.org.br

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