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10 Lugares para Observar em 2023

O mundo acaba de assinar um novo acordo em prol da natureza - agora é hora de colocá-lo em prática.

aérea de um recife de coral saindo de águas ensolaradas na Indonésia
Sunset over Rajat Ampat A reef in Raja Ampat during sunset. © Joseph Orsi/TNC Photo Contest 2019

No último mês de dezembro, representantes de quase duzentos países reuniram-se e fizeram algo notável: concordaram com um plano de 10 anos para reverter a rápida deterioração da natureza.

O acordo, conhecido como Quadro Global de Biodiversidade Kunming-Montreal, oferece um roteiro para a proteção da natureza durante esta década crítica, incluindo um acordo memorável de proteção de 30% das terras, oceanos e águas interiores do mundo.

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Agora vem a parte mais difícil: colocar esse plano em ação.

Afinal, como realmente protegemos a natureza? E como garantimos que essa proteção se perpetue?

Criando mais parques e reservas? Sim, mas para proteger a diversidade da vida na Terra daqui para a frente, precisamos pensar no futuro.

Para proteger a biodiversidade, devemos...

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  • Reconhecer a liderança dos Povos Indígenas e comunidades locais
  • Unirr esforços para proteger a natureza e restringir a mudança climática
  • Impedir que um novo desenvolvimento fragmente e isole áreas protegidas
  • Repensar os sistemas econômicos para que eles valorizem a natureza
  • Produzir alimentos com práticas que recuperem a natureza
  • Certificarmo-nos de proteger a diversidade dos habitats do mundo
  • Criar novas maneiras de financiar indefinidamente esses esforços.

Para colocar esse plano em prática, precisaremos utilizar todas as estratégias de que dispomos - e desenvolver outras novas, também. Eis aqui, sem seguir qualquer ordem em particular, 10 lugares onde a TNC está trabalhando para elevar o nível da conservação e criar um futuro no qual as pessoas e a natureza prosperem.


Península da Cabeça de Pássaro, Indonésia

Cardumes de peixes fuzileiros e corais-chifre-de-veado
PENÍNSULA DA CABEÇA DE PÁSSARO Cardumes de peixes fuzileiros e corais-chifre-de-veado saudáveis nas águas próximas a Kofiau, parte de uma área que contém uma rica variedade de espécies marinhas e corais. © Jeff Yonover

Cardumes de peixes fuzileiros e corais-chifre-de-veado saudáveis nas águas próximas a Kofiau, parte de uma área que contém uma rica variedade de espécies marinhas e corais.

Poucos países podem se comparar à Indonésia quando o assunto é a diversidade da vida. Suas florestas exuberantes abrigam tigres e orangotangos em perigo de extinção, os menores rinocerontes do mundo (o rinoceronte-peludo-de-Sumatra) e o maior lagarto do mundo (o dragão-de-Komodo, com 3 metros de comprimento).

Suas águas são igualmente diversificadas; somente a Península da Cabeça de Pássaro contém 3/4 das espécies de corais conhecidas (como o coral hammer) e mais de 1.800 espécies de peixes (como o bem camuflado tubarão-tapete). É um ponto de passagem crucial para baleias migratórias e tartarugas-de-couro, além de fonte de alimento e renda para milhares de pessoas.

Um imenso cardume de scad de listra amarela em rígida formação nas águas do Estreito de Dampier no arquipélago Raja Ampat, Indonésia. O Triângulo de Coral contém 75% de todas as espécies de corais con
SCAD DE LISTRA AMARELA Um imenso cardume de scad de listra amarela em rígida formação nas águas do Estreito de Dampier no arquipélago Raja Ampat, Indonésia. O Triângulo de Coral contém 75% de todas as espécies de corais conhecidas, abriga 40% das espécies de peixes de recifes de corais do mundo e é responsável pela subsis © Jeff Yonover

O que está acontecendo: investindo e promovendo os líderes locais

Desde 2004, a TNC e nosso parceiro local Yayasan Konservasi Alam Nusantara (YKAN) vêm criando uma rede de áreas marinhas protegidas (MPAs na sigla em inglês) no entorno da Península da Cabeça de Pássaro e implementando mais práticas de pesca sustentável, revertendo parte dos danos ao habitat causados por pesca predatória e desenvolvimento nocivo do litoral.

Entretanto o trabalho, assim como as ondas, nunca para. Para administrar continuamente essas águas exuberantes com eficácia será necessária uma liderança - do tipo que sempre existiu lá. O caminho a seguir é conduzido por pessoas que conhecem intimamente essa paisagem marinha e dependem dela para viver.

Este ano a TNC está transferindo a gestão das MPAs para as comunidades Indígenas próximas à Península da Cabeça de Pássaro - e criando um novo fundo para assegurar que elas tenham os recursos necessários para proteger essa região para sempre e, ao mesmo tempo, salvaguardar suas tradições e sua segurança econômica.

 

Bacia do Rio Amazonas

Scarlet Macaws
BACIA DO RIO AMAZONAS Araracangas voam sobre as florestas do Brasil. © Ricardo Martins/TNC Photo Contest 2019

Araracangas voam sobre as florestas do Brasil.

Estendendo-se por toda a metade norte da América do Sul, a bacia do Rio Amazonas abriga o maior rio do mundo, a maior floresta tropical e 1/3 de todas as plantas e animais conhecidos, incluindo espécies extraordinárias, como a dourada (Brachyplatystoma rousseauxii), que percorre mais de 11.000 quilômetros dos Andes até a foz do rio e retorna.

No entanto, nem só plantas e animais vivem aqui; 30 milhões de pessoas consideram esta região como seu lar. O estado brasileiro do Pará contém 9% das florestas tropicais de todo o mundo, mas tem a maior taxa de desmatamento do país, uma vez que o habitat é destruído para dar lugar a pastagens e fazendas. A perda dessas florestas pode alterar a teia da vida da Amazônia e seu clima.

O que está acontecendo: economias que priorizam a natureza em poucas palavras, literalmente

Caso a floresta tropical seja definitivamente transformada, será necessário encontrar maneiras de as comunidades viverem de forma sustentável.

COLHEITA DE CACAU
COLHEITA DE CACAU Matheus Correia Dutro descarregando frutos do cacau no sítio de sua família em São Félix do Xingu © Kevin Arnold

Man unloading cacao beans in Brazil.

Felizmente existem sementes, e grãos, de esperança.

Um estudo realizado por economistas da TNC no estado brasileiro do Pará constatou que as florestas podem valer mais em pé do que se forem derrubadas. A criação de indústrias baseadas no cultivo das sementes de açaí e grãos de cacau pode gerar empregos mais estáveis sem desmatar mais florestas.

Com políticas públicas de apoio esse “modelo de sociobioeconomia” pode alcançar 30 vezes seu tamanho atual, ajudando a proteger a rede de ecossistemas da Amazônia e criar meios de subsistência melhores para as pessoas que ali vivem.



Gabão

Lone tree in a pond
Gabão O Gabão é um dos países com maior cobertura florestal do mundo e tornou-se líder global em conservação © Roshni Lodhia

Gabon is one of the most forested countries in the world and has become a global leader in conservation.

O Gabão é um dos países com maior cobertura florestal do mundo e tornou-se líder global em conservação.

Com 88% de sua área terrestre coberta por árvores, o Gabão é uma das nações mais florestadas do mundo.

Essas vastas florestas não abrigam apenas espécies gravemente ameaçadas, como os gorilas de terras baixas e elefantes-da-floresta. Elas são também uma usina climática, absorvendo e armazenando uma quantidade de dióxido de carbono equivalente às emissões de 30 milhões de automóveis por ano.

O que está acontecendo: exploração florestal feita corretamente

O Gabão está surgindo como um líder global em conservação, tendo se comprometido no ano passado a proteger 30% do seu território de terras, águas doces e oceano graças a uma iniciativa de conservação de larga escala conhecida como Projeto Financiamento para a Permanência (PFP), uma estratégia que consolida a negociação, planejamento, governança legal e arrecadação de recursos para vários parceiros sob um mesmo guarda-chuva e assegura que as comunidades locais estejam envolvidas.

Quando estiver completo, o projeto criará 24.000 quilômetros quadrados de novas áreas marinhas, terrestres e de água doce protegidas e financiará a gestão aprimorada de milhares de quilômetros quadrados de florestas.

Lowland gorilla peering out of foliage.
BIODIVERSIDADE EXTRAORDINÁRIA O Gabão está investindo em desenvolvimento sustentável e protegendo espécies ameaçadas, como o gorila-ocidental-das-terras-baixas. © Roshni Lodhia
Forest elephants gathering in a clearing.
ELEFANTES DA FLORESTA Elefantes da floresta reunidos em uma clareira no Parque Nacional de Loango. Mais de 80% do território do Gabão são cobertos por floresta tropical, desde seu interior mais pro © Roshni Lodhia
BIODIVERSIDADE EXTRAORDINÁRIA O Gabão está investindo em desenvolvimento sustentável e protegendo espécies ameaçadas, como o gorila-ocidental-das-terras-baixas. © Roshni Lodhia
ELEFANTES DA FLORESTA Elefantes da floresta reunidos em uma clareira no Parque Nacional de Loango. Mais de 80% do território do Gabão são cobertos por floresta tropical, desde seu interior mais pro © Roshni Lodhia

Mesmo assim, o Gabão também está trabalhando para elevar o padrão de vida dos seus cidadãos e os produtos da floresta podem ganhar mais relevância na economia à medida que o país reduzir a produção de petróleo. Para equilibrar esses dois objetivos, o PFP fornece investimentos para ajudar a transição do Gabão para atividades de silvicultura mais sustentáveis que também mantenham o valor da madeira dentro do país. Com essas alterações, o Gabão espera demonstrar que é possível alcançar metas de conservação ambiciosas e crescimento econômico.


Apalaches Centrais, West Virginia (EUA)

Wind farm turbines.
FUTURO RENOVÁVEL As energias eólica e solar deverão ser os impulsores do crescimento econômico sustentável nas montanhas de West Virginia (vistas aqui) e em toda a região dos Apalaches. © Kent Mason

Wind turbines situated on a mountain ridge in West Virginia's Appalachian Mountains.

Estendendo-se por 3.000 quilômetros ao longo da costa leste da América do Norte, as Montanhas Apalaches são um destino muito procurado por excursionistas que percorrem as montanhas desde a Geórgia até o Maine, e além. Mas não são apenas os excursionistas que transitam pelos Apalaches. A região também oferece uma importante “rota de fuga climática” para vegetais e animais.

Eastern Newt
TRITÃO ORIENTAL Um tritão oriental na Reserva de Bear Rocks, West Virginia. A topografia diversificada da região cria diversos microclimas que podem ajudar as espécies a se adaptar às mudanças ambientais. © Kent Mason

An orange Eastern newt sitting on a rock.

Espécies cujos habitats tornam-se excessivamente quentes ou úmidos devido à mudança climática podem alterar suas áreas de ocupação ao longo da cadeia de montanhas ou migrar para altitudes mais elevadas a fim de encontrar climas semelhantes aos quais estão adaptados.

Até mesmo plantas adotam essas “rotas de fuga”, enviando suas sementes e frutos para regiões mais favoráveis ao longo de gerações.

As florestas intactas e topografias variadas dos Apalaches Centrais criam uma rede particularmente diversificada de microclimas e, consequentemente, uma fortaleza para a biodiversidade.

O que está acontecendo: exploração do sol

Em West Virginia, assim como em vários estados dos Apalaches, a extração de carvão é, há muito, um importante setor industrial. À medida que os mercados de energia vêm sofrendo modificações, muitas dessas minas foram fechadas ou estão em processo de desativação, deixando para trás habitats degradados e economias locais decadentes. Os habitantes de West Virginia estão se esforçando para entender como será seu futuro econômico.

Por gerações, West Virginia foi um importante produtor de energia para o país. Agora, o estado tem a oportunidade de transformar-se em um local de baixo carbono, baixo impacto no futuro usando as terras das antigas minas de carvão para abrigar o desenvolvimento de energia solar.

Mountaintop coal mine
MINA DE CARVÃO Locais degradados no topo da montanha estão sendo identificados para projetos de energia solar e reflorestamento. © Kent Mason
Cerulean warbler
MARIQUITA AZUL Essas aves são geralmente encontradas nas copas elevadas de florestas maduras. © Matt Williams

A instalação de painéis solares em terras afetadas anteriormente, bem como em áreas construídas, tais como telhados e tetos de estacionamentos, evita impactos a florestas saudáveis e outros ambientes naturais e concentra o desenvolvimento em locais que já sofreram impactos.

Essa prática também pode proporcionar novos empregos e fluxos de receita em áreas nas quais a economia foi mais prejudicada ainda quando os mercados de carvão sofreram queda e permitir que o estado de West Virginia continue a ser uma potência em exportação de energia. Auxiliadas por uma doação para Reconstrução Melhor, algumas das ferramentas e políticas que a TNC está desenvolvendo nos Apalaches Centrais para avaliar como aumentar e acelerar a recuperação e reutilização sustentável das terras de mineração poderiam inspirar uma expansão de energia renovável mais favorável à natureza em todos os Estados Unidos.

Berlin, Germany

People in community garden
Berlin Moradores de Berlim aproveitam a noite em Tempelhofer Feld, em Berlim. O local que já foi um aeroporto foi transformado em espaço de recreação da comunidade voltada para a natureza. © Jen Guyton

Moradores de Berlim aproveitam a noite em Tempelhofer Feld, em Berlim. O local que já foi um aeroporto foi transformado em espaço de recreação da comunidade voltada para a natureza.

Se falarmos em “hotspot de biodiversidade”, a maioria das pessoas vai pensar em florestas tropicais ou recifes de corais, não em uma cidade densa, como Berlim.

Entretanto, os espaços verdes representam quase 1/3 da área de Berlim e muitas espécies florescem nesses bolsões de habitat. Os 2.500 parques e jardins da cidade abrigam centenas de espécies de abelhas selvagens, sem falar em javalis, enguias, águias rabalvas, garças-reais e raposas-vermelhas.

DIVERSIDADE DE ABELHAS EM BERLIM
Bee diversity in Berlin Uma abelha examina um jardim de polinização em Berlim, Alemanha. Centenas de espécies polinizadoras fazem morada nos espaços verdes da cidade. © Jen Guyton
Sheep grazing urban park
OVELHAS PROVIDENCIAIS Ovelhas alimentando-se em pastos biodiversos junto ao Estádio Wilmersdorf de Berlim. As ovelhas fazem parte de um programa -piloto de pastagem implementado pela TNC. © Jen Guy © Jen Guyton
Bee diversity in Berlin Uma abelha examina um jardim de polinização em Berlim, Alemanha. Centenas de espécies polinizadoras fazem morada nos espaços verdes da cidade. © Jen Guyton
OVELHAS PROVIDENCIAIS Ovelhas alimentando-se em pastos biodiversos junto ao Estádio Wilmersdorf de Berlim. As ovelhas fazem parte de um programa -piloto de pastagem implementado pela TNC. © Jen Guy © Jen Guyton

O que está acontecendo: a natureza é o principal aliado das cidades contra a mudança climática

À medida que o clima muda, esses espaços verdes estão se tornando mais importantes para as pessoas bem como para a própria natureza. Ondas de calor podem ser particularmente fatais nas grandes cidades, uma vez que a pavimentação e as construções captam mais calor do que as terras naturais. Essas superfícies impermeáveis também impedem que a água penetre no solo, tornando as inundações mais intensas e perigosas.

É por isso que Berlim e outras cidades da Alemanha estão expandindo seus investimentos na natureza. Financiada por uma doação da Amazon Inc., a TNC está trabalhando com líderes municipais da Alemanha para resgatar e administrar mais espaços verdes, especificamente para ajudar na adaptação ao clima. As soluções testadas na Alemanha podem ajudar outras cidades a enfrentar o clima extremo.

 

Ilha Pate, Quênia

MANGUEZAIS DO QUÊNIA
Kenya mangroves Membros da Associação de Mulheres de Mtangawanda enchem de lama sacos para sementes em preparação do processo de plantio de propágulas no sítio de recuperação de manguezais em Pate, Lamu. A associação é um grupo que administra a recuperação de manguezais na costa do Condado de Lamu, no Quênia. © Sarah Waiswa

Talvez a paisagem mais conhecida do Quênia sejam suas emblemáticas savanas, mas o país orgulha-se de outro habitat extraordinário, onde a terra encontra o mar – densas florestas de mangues.

Os manguezais fazem um pouco de tudo. Seus galhos abrigam pássaros e abelhas. Seus emaranhados de raízes fornecem habitat para caranguejos Uca e abrigos seguros para jovens peixes oceânicos.

Sob a superfície de lama eles protegem a costa da erosão e combatem a mudança climática absorvendo uma quantidade impressionante de carbono (cinco vezes mais do que as árvores no solo).

MANGUEZAIS DESENVOLVEM RAÍZES
MANGUEZAIS DESENVOLVEM RAÍZES Árvores em crescimento em um sítio de recuperação de manguezais no Quênia. Os manguezais abrigam peixes jovens, armazenam carbono no solo e defendem os litorais contra o impac © Sarah Waiswa
AÇÃO COLETIVA
AÇÃO COLETIVA Membros da Associação de Mulheres de Mtangawanda colhem propágulas das árvores dos manguezais no sítio de recuperação em Mtangawanda, Lamu, Quênia © Sarah Waiswa

O que está acontecendo: manguezais, mães e microcrédito

As comunidades de pescadores do Arquipélago de Lamu, no Quênia, sempre dependeram dos manguezais para nutrir populações de peixes e caranguejos saudáveis, mas a intensa exploração de madeira na década de 1990 causou um grande desequilíbrio nesses habitats.

Para torná-los saudáveis novamente, a TNC e parceiros locais criaram um programa destinado a capacitar as associações de mulheres para recuperar os manguezais próximos às suas comunidades. As mulheres participantes do programa obtêm acesso a treinamento financeiro e a microempréstimos, que as ajudam a desenvolver sua independência econômica.

O programa está sendo uma dádiva, tanto para as pessoas, quanto para a natureza. Os campos de manguezais estão prosperando e as espécies de caranguejos comestíveis comuns estão voltando.

As protetoras dos mangues estão estendendo sua liderança aos seus lares, incentivando comportamentos mais sustentáveis no âmbito familiar. As oportunidades de renda adicional podem reduzir a dependência das famílias da pesca em águas exauridas. Além disso, colocar a gestão nas mãos de pessoas locais pode ser uma porta para outras oportunidades de renda sustentável no futuro, como o comércio do carbono.

 

Barbados

CUIDANDO DO FUTURO DE BARBADOS
CUIDANDO DO FUTURO DE BARBADOS Uma família aprecia a vista em Cherry Tree Hill, em Barbados. © Shane Gross

Barbados está assentado sobre os resquícios de antigos recifes de corais no Caribe Oriental, trazidos à tona pelo movimento de placas tectônicas ao longo de milhões de anos. Essa nação insular possui uma área terrestre de apenas 432 km2, mas seu território marinho é superior a 185.000 km2.

Essa faixa de oceano é rica em formas de vida, incluindo espécies em extinção como tartarugas de escamas e 13 espécies diferentes de peixes voadores, criaturas que já foram tão abundantes que Barbados era conhecido como a “terra dos peixes voadores”.

Aerial view of coast of Barbados
LITORAL DE BARBADOS Uma vista de Shark Hole em Barbados. Uma inovação financeira está destravando financiamento para Barbados proteger grande parte da sua área marinha, apoiando os setores de tur © Shane Gross
Hawksbill sea turtle on coral reef
VIDA EM ABUNDÂNCIA Uma tartaruga marinha de escamas em um recife de corais em Barbados. © Shane Gross

O que está acontecendo: dívida soberana torna-se uma oportunidade ganha-ganha para os oceanos

Grande parte da economia de Barbados depende do oceano, especialmente os setores de pesca e turismo. Contudo, a pesca predatória, a poluição e o desenvolvimento desordenado estão degradando as águas tão importantes para esses setores e a pandemia de COVID-19 trouxe outros problemas. Ao mesmo tempo em que fortes tempestades castigam a ilha e causam prejuízos de alto custo, é mais difícil encontrar financiamento para preservar e recuperar o oceano.

Para proteger seus recursos naturais e adaptar-se à mudança climática, Barbados trabalhou com a TNC para refinanciar sua dívida soberana a uma taxa de juros menor, usando os recursos poupados em atividades de conservação.

Essa estratégia, conhecida como Título Azul para Conservação, desbloqueou US$ 50 milhões que serão utilizados para proteger até 30% do território marinho do país. Barbados é agora o terceiro país a usar essa inovação financeira, depois da República de Seychelles e Belize.

 

Gran Chaco, Argentina

A man on horseback surveys his farm
VIDA NO GRAN CHACO Uma fazenda dedicada à pecuária e plantação de soja no Chaco, Argentina. © Alejandra Pinzón

A região do Gran Chaco na Argentina talvez não seja tão conhecida como a Amazônia, ao norte, mas também é um refúgio para a biodiversidade. Na ampla planície encontra-se a segunda maior floresta do continente, bem como vastas extensões de pastagens e faixas estreitas de terras úmidas que persistem apesar da escassez de chuvas.

Os animais que circulam nesses habitats são igualmente diversificados, desde lobos-guará até gigantescos tuiuiús e jiboias vermelhas com escamas iridescentes.

TUIUIÚS
TUIUIÚS Tuiuiús procuram peixes no Pantanal, próximo ao ponto de conexão de Brasil, Bolívia e Paraguai. Esses tuiuiús estão entre as maiores aves voadoras do mundo. © Scott Warren
A livestock pasture with intact tree cover
AGROPECUÁRIA ENTRE AS ÁRVORES Uma área de pasto em Gran Chaco mantém as árvores intactas. A paisagem garante uma dieta mais saudável para os animais e a pastagem espalha as sementes das árvores. © Alejandra Pinzón
TUIUIÚS Tuiuiús procuram peixes no Pantanal, próximo ao ponto de conexão de Brasil, Bolívia e Paraguai. Esses tuiuiús estão entre as maiores aves voadoras do mundo. © Scott Warren
AGROPECUÁRIA ENTRE AS ÁRVORES Uma área de pasto em Gran Chaco mantém as árvores intactas. A paisagem garante uma dieta mais saudável para os animais e a pastagem espalha as sementes das árvores. © Alejandra Pinzón

O que está acontecendo: um sistema alimentar que beneficia a natureza

Embora o Gran Chaco tenha sempre sido uma importante região de agropecuária, muitas das pequenas propriedades que atendiam às comunidades locais foram substituídas por grandes operações dedicadas ao cultivo de itens básicos, como a soja. O plantio dessas mesmas safras repetidas vezes prejudica a diversidade de espécies e esgota os nutrientes do solo, ameaçando a segurança alimentar local e o agronegócio, que é a base da economia da região.

Porém, muitos agricultores e pecuaristas do Gran Chaco estão demonstrando que a produção de alimentos não precisa ocorrer em prejuízo da natureza. Práticas de agricultura regenerativa, tais como o plantio de culturas de cobertura entre os cultivares de itens básicos, ajudam a devolver os minerais e a umidade ao solo.

Pequenas e médias fazendas de gado também estão usando abordagens regenerativas. O pastoreio nas florestas, em vez de em pastos abertos, proporciona uma dieta mais saudável para o gado. O gado, por sua vez, fertiliza o solo e ajuda a disseminar as sementes de importantes espécies de árvores. Se essas práticas fossem implementadas em escala global, elas poderiam causar um grande impacto, tanto nas emissões climáticas globais, quanto na perda da biodiversidade.


Emerald Edge, Estados Unidos e Canadá

 Boats operated by the Kitasoo/Xai’xais Coastal Guardian Watchmen and Spirit Bear Lodge, Canada
Emerald Edge Barcos operados por Sentinelas da Guarda Costeira Kitasoo e Spirit Bear Lodge, Canadá. © Jason Houston

Emerald Edge é a maior floresta tropical temperada litorânea e refúgio de biodiversidade do mundo, lar de lobos e baleias, “ursos-espírito” brancos e de algumas das árvores mais antigas da América do Norte.

Estendendo-se desde as regiões costeiras do Oregon, estado de Washington e Colúmbia Britânica, até o sudeste do Alasca, esse ecossistema ocupa mais de 400 mil km2 de floresta exuberante, milhares de rios e cursos d’água de montanha, 40.000 ilhas e 56.000 quilômetros de litoral.

Esta região há muito abriga Povos Indígenas, incluindo Povos Originários, Nativos do Alasca e Tribos Costeiras. Suas culturas, idiomas, histórias e subsistências estão diretamente ligados e entrelaçados com a terra e o mar.

The "spirit bear" has pale fur caused by a recessive trait.
URSO DE KERMODE Um urso de Kermode ou “urso-espírito” na Ilha Gribbell, na Floresta Tropical Great Bear, no Canadá. A pelagem de cor branca é um traço recessivo, presente em praticamente 1 em © Jon McCormack
A humpback whale dives in a channel near shore
CAUDA DE BALEIA Baleia jubarte mergulha no canal em frente ao Spirit Bear Lodge. Klemtu, Colúmbia Britânica. © Jason Houston
URSO DE KERMODE Um urso de Kermode ou “urso-espírito” na Ilha Gribbell, na Floresta Tropical Great Bear, no Canadá. A pelagem de cor branca é um traço recessivo, presente em praticamente 1 em © Jon McCormack
CAUDA DE BALEIA Baleia jubarte mergulha no canal em frente ao Spirit Bear Lodge. Klemtu, Colúmbia Britânica. © Jason Houston

O que está acontecendo: um grande investimento em liderança indígena

Povos Indígenas são os melhores guardiões da natureza, apesar de raramente serem ouvidos em discussões sobre o clima global e a biodiversidade. Recentemente, o governo do Canadá adotou uma medida reconhecendo os direitos e a autoridade dos Indígenas ao anunciar um investimento de 800 milhões de dólares canadenses para promover a conservação em larga escala liderada por Indígenas, incluindo financiamento significativo para a Iniciativa do Great Bear Sea, um projeto liderado por 17 Povos Originários. Esse investimento baseia-se em êxitos anteriores em conservação liderados por Povos Originários na Floresta Tropical Great Bear e Clayoquot Sound.


Pradarias da Mongólia

View of grasslands from a mountaintop in Mongolia
PRADARIAS Vista do topo de uma montanha na Área Protegida Khan Khentii, Khuh Nuur, Mongólia © Nick Hall

As florestas despertam a máxima atenção quando se trata de soluções climáticas naturais. Mas as pastagens também são importantes. Com seus densos sistemas radiculares, desenvolvidos para suportar o fogo e os rebanhos de animais pastando, as pradarias aprisionam o carbono que absorvem nas profundezas do solo o que faz delas um reservatório de carbono incrivelmente resiliente.

Infelizmente, quase metade das pradarias do mundo já se perdeu.

A extensão remanescente mais intacta desse habitat está na Mongólia, onde as pradarias cobrem aproximadamente 80% do país. Essa imensa faixa de planície abriga leopardos-das-neves, antílopes saiga e mais de 200.000 famílias nômades que praticam o pastoreio tradicional.

Storks walking in tall grass in Mongolia
A TNC AJUDOU MAIS DE 2.000 pastores a se estruturarem em 52 organizações baseadas na comunidade e obter seus direitos legais de acesso à terra em mais de 12.000 km2 em todo o país. © Tuguldur Enkhtsetseg/TNC

O que está acontecendo: proteção permanente para a maior pradaria do mundo

A Mongólia já se estabeleceu como líder global em proteção de terras em larga escala com uma promessa de preservar 30% de sua área terrestre. O governo recentemente deu um passo importante para transformar essa promessa em realidade ao assinar um acordo de Projeto Financiamento para a Permanência (PFP) com a TNC e a Enduring Earth para criar 144.000 km2 de novas áreas protegidas, incluir partes da Estepe Euroasiática, uma faixa de pradarias que corresponde a 10 vezes o tamanho do Serengeti.

O acordo PFP também inclui planos de aprimorar a gestão das áreas protegidas existentes, bem como um compromisso de financiamento para garantir que a proteção seja permanente e que as comunidades de pastores locais possam prosseguir com seus meios de subsistência tradicionais.