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Programa Reverte Cerrado: avanços e resultados em 2025

De 2021 a 2025, a iniciativa apoia a recuperação de 165 mil hectares e a mobilização de US$ 228,5 milhões no Cerrado, fortalecendo paisagens produtiva

A imagem mostra uma ampla paisagem rural vista de um ponto elevado, provavelmente por drone ou aeronave, capturada em formato panorâmico.
Recuperação de áreas degradada Ampla paisagem rural vista de um ponto elevado, provavelmente por drone ou aeronave, capturada em formato panorâmico. © André Dib

O Programa Reverte Cerrado, liderado pela Syngenta, com apoio financeiro do Itaú BBA e apoio técnico da The Nature Conservancy Brasil, avança na recuperação de áreas degradadas no Cerrado, mostrando na prática que é possível expandir a produção agrícola sem desmatar novas áreas de vegetação nativa. A iniciativa apoia produtores rurais na recuperação de pastagens degradadas e na adoção de melhores práticas de gestão, fatores que aumentam a produtividade de forma sustentável, conciliando competitividade, segurança alimentar e conservação da biodiversidade.

Avanços no Cerrado

O programa tem como meta recuperar 600 mil hectares de áreas degradadas até 2030. Entre 2021, ano de criação da iniciativa, e 2025, foram incorporados 165.194 hectares a processos de recuperação e melhoria do uso da terra. Os produtores que aderem à iniciativa se comprometem a não desmatar a vegetação nativa existente nas propriedades financiadas a partir de janeiro de 2018 e a cumprir a legislação ambiental brasileira em todo o grupo econômico. Esse compromisso contribui diretamente para a proteção da biodiversidade, dos recursos hídricos e da resiliência das paisagens produtivas.

Crédito de longo prazo para impulsionar a recuperação produtiva

Um dos diferenciais do Reverte Cerrado é sua estrutura financeira inovadora. O programa oferece uma linha de crédito do Itaú BBA com prazo de até dez anos e carência de até três anos, condições alinhadas ao perfil de investimento necessário para a recuperação de solos degradados. A Syngenta compartilha parte do risco de crédito, ampliando o acesso de quem produz aos recursos necessários para transformar suas propriedades.

Ao final do ano passado, o volume acumulado de crédito desembolsado alcançou US$ 228,5 milhões, o equivalente a cerca de R$ 1,3 bilhão. Desse total, US$ 35 milhões (R$ 189 milhões) foram liberados ao longo do ano. O desempenho reforça a capacidade do programa de mobilizar capital em larga escala para promover uma agricultura mais sustentável.

O acesso à linha de crédito está condicionado ao cumprimento de critérios importantes de elegibilidade socioambiental, agronômica e financeira. Entre os requisitos estão a regularidade fundiária e trabalhista, a conformidade com a legislação ambiental, a ausência de conversão de vegetação nativa desde 2018 e a apresentação de um plano técnico de recuperação da área, com metas e cronograma de implementação. Após a contratação, as propriedades seguem sendo monitoradas de forma contínua por meio de análises geoespaciais, bases públicas e ferramentas digitais, permitindo acompanhar a evolução das atividades por meio de indicadores como a conservação da vegetação nativa, regularização ambiental, recuperação do solo e desempenho agronômico.

 Considerando os números alcançados ate o momento, cenário atual de baixa rentabilidade para as commodities e juros elevados que impactam no apetite dos agricultores de ampliar área agricultável a recomendação é não divulgar a meta de 600 mil hectares até 2030.

INFOGRÁFICO

Monitoramento do impacto

Em 2025, o programa iniciou a fase de aprimoramento do desenho do sistema de Monitoramento, Reporte e Verificação (MRV), visando o aperfeiçoamento dos métodos de coleta e da padronização de dados sobre uso da terra, vegetação nativa e indicadores agronômicos das áreas participantes. Esse avanço permitirá acompanhar com maior precisão os impactos do programa, gerando evidências robustas sobre seus benefícios ambientais e produtivos ao longo dos próximos anos.

Até dezembro de 2025, o Reverte Cerrado apoiava 53 produtores em 162 fazendas localizadas principalmente em Mato Grosso e Goiás, com participação adicional em Mato Grosso do Sul, Bahia, Tocantins e Maranhão. Nessas propriedades, são monitorados 178.590 hectares de vegetação nativa, incluindo 20.240 hectares de Reserva Legal excedente, ou seja, áreas preservadas além do mínimo exigido por lei.

Análises preliminares indicam que essas áreas excedentes concentram aproximadamente 2,285 milhões de toneladas de CO₂ equivalente em estoques de carbono acima do solo, o que demonstra o papel do programa na geração de benefícios climáticos e na conservação do Cerrado.

Preparando novos incentivos para conservação e restauração

Ao longo de 2025, as organizações parceiras atualizaram o marco de referência da linha de financiamento, incorporando os aprendizados acumulados desde o lançamento e reforçando critérios de elegibilidade e salvaguardas socioambientais. Também foi consolidado um roteiro conjunto de avaliação de instrumentos financeiros capazes de ampliar os incentivos à conservação e à restauração da vegetação nativa.

Entre as oportunidades analisadas estão mecanismos de blended finance, mercados de carbono, títulos vinculados à biodiversidade e iniciativas como Ecoinvest e CCAT. Embora esses instrumentos ainda não tenham sido implementados, os estudos realizados abrem caminho para o desenvolvimento futuro de incentivos financeiros adicionais, permitindo que produtores avancem além das exigências legais e ampliem ações voluntárias de conservação.

Um modelo de colaboração para a agricultura do futuro

O Programa Reverte Cerrado vem se consolidando como uma referência em finanças sustentáveis e agricultura regenerativa ao combinar crédito de longo prazo, critérios socioambientais sólidos e monitoramento robusto. A iniciativa demonstra que é possível aumentar a produção agrícola em áreas já abertas, proteger a vegetação nativa e gerar benefícios concretos para o clima, a biodiversidade e a segurança alimentar.

Ao reunir organizações da sociedade civil, setor privado e instituições financeiras em torno de um objetivo comum, o Reverte Cerrado contribui para a construção de uma agricultura mais resiliente, produtiva e alinhada aos desafios da conservação no Cerrado brasileiro.