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Solos vivos que alimentam o mundo

Produzir alimentos regenerando as paisagens estratégicas da América Latina.

Un rebaño de vacas pastando tranquilamente en un campo verde bajo un gran árbol.
Reserva Natural El Hatico una finca ganadera de producción de caña de azúcar regenerativa en Valle del Cauca, Colombia. © Camila Peña, TNC

El Hatico, ponto central do conhecimento

A Reserva Natural El Hatico é uma das principais fazendas regenerativas de referência na região, com resultados quantificáveis decorrentes dessas práticas.  Serve como um ponto central de intercâmbios e de aprendizagem. As experiências do El Hatico estão documentadas no curso virtual gratuito da TNC e da FOLU como parte do projeto Paisagens Futuras. Faça parte clicando aqui

A família Molina entende o valor de ouvir e aprender com a natureza: seus ciclos, seus ritmos, seu poder de regeneração e de manter o equilíbrio. Hoje, El Hatico não é só uma fazenda de criação de gado e de produção de cana-de-açúcar regenerativa, mas também uma reserva natural que preserva uma das últimas relíquias da floresta seca tropical do Vale do Cauca. Localizada no sudoeste da Colômbia, uma área altamente desmatada, e uma das principais regiões de produção de cana-de-açúcar do país.

A conexão desta família com a natureza é um legado de nove gerações que os levou a se perguntar como fazer as coisas de forma diferente no início dos anos 90.

Como produzir alimentos saudáveis e, ao mesmo tempo, conservar os aquíferos e voltar a ver crescer a floresta que antes prosperava nessas terras de criação de gado e de produção de cana-de-açúcar? É possível dar vida novamente à terra para criar paisagens do futuro?

A resposta é, sim, é possível, e também se pode reduzir os custos, melhorar as condições laborais dos trabalhadores, assim como a resiliência e a adaptação da fazenda às mudanças climáticas e trazer de volta a biodiversidade.

Um homem de chapéu está em pé em um campo verde, olhando diretamente para a câmera.
Carlos Hernando Molina Durán ©

Mudamos de um modelo de pecuária extensiva a um sistema silvopastoril intensivo que permite uma interação interessante entre árvores, arbustos e pastagens, gerando um sistema sustentável que tem autonomia em relação à fertilização e requer menos água

Carlos Hernando Molina Durán, Reserva Natural El Hatico.
Uma imagem de satélite que mostra um vasto campo verde, destacando sua vegetação exuberante e sua extensa área.
Imagem de satélite que mostra uma ampla área destacada por um círculo amarelo proeminente para evidenciá-la.
Reserva Natural El Hatico Vista aérea do do crescimento dos corredores naturais de floresta na Reserva Natural El Hatico entre 1942 e 2025.

Resultado: vacas felizes e saudáveis que descansam sob o frescor das copas das árvores e uma atividade econômica mais eficiente. Os números falam por si. Embora hoje destinem 130 hectares à criação de gado, um terço da área utilizada em 1950, a Reserva Natural El Hatico abriga 1,6 vezes mais gado, produz 62 vezes mais leite por hectare e emprega 3,8 vezes mais pessoas.

Um homem está em pé ao lado de uma grande árvore, mostrando seu tronco imponente e seus galhos extensos.
José Namtz à sombra de braúnas vermelhas. © Juan Pablo Martínez, TNC

Produzir alimentos e proteger a natureza

Nas paisagens da América Latina que alimentam o mundo, os produtores iniciaram a transição para uma nova forma de produção de alimentos. Uma em que a regeneração da natureza, a proteção dos sistemas hídricos, o bem-estar das comunidades e a forma como nos relacionamos com o que comemos estão no centro dos sistemas produtivos. A família Molina é um dos muitos casos, e há cada vez mais deles em toda a região.

No caso de José Namtz, no Gran Chaco argentino, ele eliminou o uso de discos de arado que revolvem o solo, substituindo-os pelo plantio direto, pela rotação de culturas entre as épocas de plantio e pelo uso de plantas de cobertura para evitar que o solo fique exposto entre as colheitas. Solos saudáveis proporcionam sustentabilidade econômica de longo prazo ao seu negócio.  A implementação de alternativas para frear o desmatamento e os efeitos da expansão da fronteira agrícola lhe hão permitido melhor adaptação aos fenômenos climáticos, cada vez mais extremos na segunda maior floresta da América do Sul.

José é um dos produtores com os quais a TNC e a Nestlé Purina trabalham para fortalecer os sistemas produtivos do norte argentino, combinando conhecimento técnico, decisões de manejo e trabalho contínuo em 16.472 hectares nas províncias de Chaco e Santiago del Estero, das quais 62% já implementam práticas regenerativas. Saiba mais aqui.

Um homem de chapéu e camisa está em pé diante de um fundo de árvores verdes e frondosas.
José Namtz ©

Um campo sem árvores é um deserto. A floresta me protege dos ventos e da erosão, impede o rápido escoamento da água e nos livra de inundações

José Namtz, Produtor do Gran Chaco

O Gran Chaco:

  Leia a história completa 

e descubra como a natureza pode se tornar uma grande aliada do desenvolvimento sustentável e do bem-estar das comunidades locais.

Paisagens Futuras

Por meio da adaptação baseada em ecossistemas (AbE), o projeto Paisagens Futuras tem como objetivo transformar os sistemas agrícolas em paisagens regenerativas. Para apoiar e dar escala a esses protocolos, a TNC e parceiros criaram o Marco Conceptual de Ganadería y Agricultura Regenerativa. Conheça mais sobre o projeto Paisagens Futuras aqui.

*Este projeto conta com o apoio da Iniciativa Internacional para o Clima (IKI) do governo alemão. No âmbito do Governo Federal, a IKI está vinculada ao Ministério Federal do Meio Ambiente, Ação Climática, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear (BMUKN). Alguns projetos individuais selecionados também estão sob a responsabilidade do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha (AA).www.international-climate-initiative.com

Regenerar, um esforço coletivo

A regeneração requer uma grande diversidade de atores. A TNC, por meio de sua estratégia de Pecuária e Agricultura Regenerativa, trabalha com produtores locais, investidores, governos e consumidores com o objetivo de alcançar sua meta de 2030 de transformar a produção de alimentos e melhorar a gestão da terra em 32 milhões de hectares na América Latina, em paisagens estratégicas como o Gran Chaco, a Orinoquia, a Selva Maia, a Amazônia, o Cerrado, a Patagônia, a Mata Atlântica e o Magdalena.

Para alcançar esse objetivo, a estratégia R2A aposta no fortalecimento e na ampliação, de forma sistêmica, ágil e exponencial, das experiências de pecuária e agricultura regenerativas já existentes na região. Busca consolidar soluções que permitam transformar os sistemas produtivos e frear os impactos negativos da agricultura convencional sobre os ecossistemas e as comunidades.

Un hombre sonriente de pelo gris, vestido con una camisa negra, que desprendía una actitud amigable y accesible.
Mauricio Castro Schmitz ©

A América Latina está em um momento decisivo. Como somos o maior exportador de alimentos do mundo, a forma como produzimos aqui determinará não só o desenvolvimento regional, mas também a segurança alimentar global, a estabilidade climática e a saúde do planeta.

Mauricio Castro Schmitz, Diretor de Agricultura, América Latina, The Nature Conservancy.

América Latina, el mayor exportador de alimentos

  • 48%

    do território é dedicado à produção de alimentos.

  • 70%

    da perda de habitat é causada pela produção de alimentos.

  • 50%

    dos gases poluentes são causados por práticas de produção.

Fonte: Land Cover of the European Space Agency - ESA Climate Change Initiative – CCI | www.esa-landcover-cci.or

A tecnologia regenerativa transcende fronteiras

Un grupo de cinco personas paseando en bicicleta por un camino de tierra rodeado de vegetación.
Agricultura Regenerativa Vista aérea da Fazenda Laranjal, em Nova Xavantina. © Jean Yoshimura, TNC

Restaurar ecossistemas degradados e fortalecer laços socioambientais e econômicos transcende barreiras geográficas e disciplinares.

No Cerrado brasileiro, a John Deere, a Fundação Walmart, a Fundação Zoetis, a Corteva e a AGCO e a TNC  demonstram que quando produtores têm acesso à assistência técnica qualificada para recuperar pastos degradados e viabilizar a adaptação ambiental de suas propriedades, os resultados se refletem em ganhos concretos de produtividade, uma maior resiliência da propriedade, assim como e uma maior capacidade para satisfazer atender as demandas ambientais e de mercado.

Em menos de 24 meses, nas propriedades monitoradas, a carga animal aumentou 38,2% (de 1,71 a 2,36 animais por hectare), em fazendas leiteiras a produção aumentou uma média de 5,68 a 7,75 litros por vaca por dia, enquanto no caso da soja, o aumento de produtividade foi de 17%.

Temos plena convicção de que o meio ambiente e a agricultura caminham de mãos dadas. Notamos a prosperidade das famílias que adotaram essas mudanças, refletida no aumento da produção, no retorno financeiro e em uma maior compreensão da harmonia ambiental, prioridade para a empresa.

Mônica Pedó, Gerente de Sustentabilidade da John Deere para América Latina.

Ampliar o acesso à assistência técnica é uma das grandes oportunidades para impulsionar a produtividade e a sustentabilidade no Brasil. De acordo com o Censo Agropecuário mais recente, apenas 20,1% dos produtores rurais declararam ter recebido assessoria técnica.

A experiência permitiu a estruturação de acordos institucionais adaptados à realidade local, definindo a frequência adequada de serviço e identificando práticas de manejo de baixo custo. Os resultados demonstram o potencial de aplicar modelos como esses que conectam a assistência técnica, a gestão, a regularização ambiental e o acesso a políticas públicas e ao financiamento em maior escala. O objetivo para 2030 é alcançar 500 produtores com estas lições por meio de alianças estratégicas.

Agricultura Regenerativa (1:39) Como o cuidado com o meio ambiente gera melhores resultados nas propriedades rurais.

A fazenda Laranjal, em Nova Xavantina, é um dos casos de sucesso do projeto. Após três anos de acompanhamento técnico, a produtividade aumentou em 27%. Nas pastagens, que estavam degradadas em cerca de 70%, o projeto incorporou sistemas que integram a agricultura, a pecuária e a floresta. Além disso, a atividade produtiva foi diversificada e, além do leite, passou a produzir sistemas que incluem baru, eucalipto, mamão-papaia, banana, milheto, sorgo e milho para silagem, insumo que vem sendo comercializado como renda adicional, evidenciando que as práticas regenerativas fortalecem a resiliência climática, reduzem custos e ampliam a estabilidade financeira das comunidades.

Dando escala à regeneração na América Latina

Um grupo de pessoas usando chapéus conversando ao ar livre.
Visita a finca demostrativa en El Chal, Petén, con ganaderos y representantes de asociaciones de Guatemala y Belice, como parte de la multiplicación de conocimientos. © Catalina Godoy/ TNC
Uma vaca com uma etiqueta visível na orelha, em pé em um campo gramado sob um céu azul e limpo.
Trazabilidad del ganado en Mexico © Graciela Zavala
Visita a finca demostrativa en El Chal, Petén, con ganaderos y representantes de asociaciones de Guatemala y Belice, como parte de la multiplicación de conocimientos. © Catalina Godoy/ TNC
Trazabilidad del ganado en Mexico © Graciela Zavala

Ampliar a transição para uma nova forma de produzir alimentos de maneira sustentável em escala de paisagem é um esforço coletivo. Foi assim que entenderam os pecuaristas do México, da Guatemala e de Belize, que deram passos importantes rumo a uma transformação que vai além das fronteiras de cada país e é pensada para a Selva Maia como um todo.

Com o apoio do Latin America Conservation Council (LACC) e da TNC, eles construíram uma agenda compartilhada voltada para a identificação de melhores práticas, custos, financiamento, rastreabilidade, fortalecimento das cadeias de valor e acesso a mercados para a pecuária sustentável.

Uma das conquistas de destaque foi a consolidação de uma Mesa Trinacional de Pecuária Sustentável, com o objetivo de melhorar os meios de subsistência, promover a restauração da paisagem pecuária e contribuir para a conservação da biodiversidade da Selva Maia

Como parte do projeto, foi fortalecida uma rede de núcleos de produtores e fazendas demonstrativas que permitiu multiplicar conhecimentos sobre a implementação de práticas voltadas à transição para a pecuária sustentável e gerar evidências para sua ampliação em escala. Em parceria com associações e sindicatos de pecuaristas, instituições públicas e organizações parceiras, foram capacitados técnicos e produtores, promovido o acesso a incentivos florestais e opções de financiamento, além do desenvolvimento de ferramentas de planejamento que facilitaram a adoção de sistemas silvipastoris.

Um homem negro com dreadlocks, vestido de terno e gravata, transmitindo profissionalismo e confiança.
William Usher © TNC

Por meio de uma visão e missão compartilhadas por todas as partes, acreditamos que é possível alcançar tanto a rentabilidade quanto a sustentabilidade.

William Usher, CEO, Associação de Produtores da Pecuária de Belize.
Alba Pineda © TNC

Ao estarmos associados, ajudamo-nos mutuamente e fortalecemos nossa capacidade de buscar apoio para a formação técnica de jovens, mulheres e, de modo geral, dos produtores, em temas relacionados à pecuária sustentável.

Alba Pineda, Presidente da Associação de Pecuaristas (Asoagro), Peten, Guatemala.
Uma mulher de cabelos longos e pretos sentada à mesa, mantendo uma conversa ou refletindo em silêncio.
María Esmeralda Canul Celis ©

Fazer parte do Projeto de Pecuária Sustentável marcou um ponto de virada para mim. Ganhei confiança, ampliei meus conhecimentos e isso é apenas o começo.

María Esmeralda Canul Celis, participante do Projeto de Pecuária Sustentável, México.

Diante das alterações climáticas, da perda de biodiversidade e dos desafios sociais que a região enfrenta, a conversão de sistemas produtivos tradicionais em sistemas regenerativos, centrada em soluções baseadas na natureza e no cuidado da vida, torna-se cada vez mais urgente.

A América Latina avança rumo à regeneração do solo, tanto na produção de alimentos quanto na proteção dos ecossistemas, em benefício do bem-estar social e econômico. Entender os caminhos percorridos pelos nossos alimentos faz parte da regeneração.

“O risco não é mais a mudança, mas sim continuar fazendo igual.

A história continua...

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Transformando os sistemas alimentares na América Latina

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Vista aérea de uma reserva natural Crooked Creek.
Reserva Crooked Creek área protegida de TNC, Wisconsin © Fauna Creative