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Florestas oferecem mais do que armazenamento de carbono

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floresta ensoladada

Novo estudo compila pesquisa sobre os benefícios que são essenciais para a adaptação climática.

Texto: Justine E. Hausheer, Jornalista científica da The Nature Conservancy | Cool Green Science

Florestas Floresta ensolarada. © David Ike

Uma nova revisão científica defende que as florestas desempenham um papel muito maior na proteção das pessoas contra as mudanças climáticas do que se reconhecia anteriormente. Publicado na revista Science, o estudo mostra que as florestas não apenas armazenam carbono, mas também ajudam a regular o clima local ao reduzir temperaturas, influenciar os padrões de chuva e proteger comunidades contra enchentes e ondas de calor extremas.

Uma equipe de pesquisadores reuniu e analisou centenas de estudos para compreender como as florestas regulam o clima em escalas local, regional e global. A conclusão é clara: as florestas são ferramentas fundamentais para a adaptação climática, e não apenas reservatórios de carbono. O resultado dessa análise foi publicada na revista Science.

As florestas reduzem as temperaturas durante o dia, sendo esse efeito mais intenso nas regiões tropicais, embora esteja presente em todos os tipos de floresta. Sua influência sobre o ciclo da água também é significativa. As árvores liberam umidade para a atmosfera, favorecem a ocorrência de chuvas em áreas vizinhas e contribuem para o armazenamento de água no solo, a recarga dos aquíferos e a manutenção dos fluxos dos rios.

“As florestas moldam o nosso clima de maneiras poderosas e surpreendentemente complexas”, afirma Susan Cook-Patton, Cientista Líder em Reflorestamento da The Nature Conservancy (TNC). “Em alguns lugares, as florestas podem contribuir para combater o aquecimento global e, ao mesmo tempo, proporcionar resfriamento em nível local.”

Durante o dia, a maioria das florestas resfria o ar sob suas copas por meio da sombra e também refresca o ambiente ao redor através da evapotranspiração. Por outro lado, suas copas escuras absorvem radiação solar e liberam calor, um efeito que, em determinadas regiões, pode ser forte o suficiente para compensar parte dos benefícios climáticos proporcionados pelo armazenamento de carbono.

As florestas moldam o nosso clima de maneiras poderosas e surpreendentemente complexas.

Susan Cook-Patton, Cientista Líder em Reflorestamento da The Nature Conservancy

O cenário mais amplo

A presença ou ausência de florestas pode ter consequências decisivas, especialmente para populações que vivem em áreas tropicais. Segundo os autores, florestas preservadas podem reduzir as temperaturas máximas locais em mais de 4°C na média global, chegando a ultrapassar 6°C nas florestas tropicais. Esse resfriamento ajuda a reduzir mortes relacionadas ao calor extremo e protege trabalhadores expostos a condições perigosas.

A perda de florestas tropicais já comprometeu condições seguras de trabalho para milhões de pessoas. O desmatamento em larga escala intensifica o calor extremo, que se espalha para além das áreas desmatadas e contribui para milhares de mortes relacionadas ao calor todos os anos.

Além disso, a redução das chuvas em regiões afetadas pelo desmatamento ameaça economias agrícolas inteiras. Na Amazônia brasileira, por exemplo, a perda florestal pode resultar em prejuízos anuais próximos de US$ 1 bilhão em receitas agrícolas. Um relatório recente da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), da TNC e de outras instituições também destaca os inúmeros benefícios das florestas para a produção agrícola.

Importância das Florestas regular o clima, proteger pessoas e fortalecer comunidades © TNC

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Principais conclusões

O estudo surge em um momento em que governos e empresas estão investindo bilhões de dólares em soluções climáticas baseadas em florestas, geralmente com foco quase exclusivo no carbono. Os pesquisadores demonstram que essa visão limitada ignora tanto desafios importantes quanto grandes oportunidades relacionadas ao papel das florestas na melhoria do bem-estar humano.

Os formuladores de políticas públicas podem ampliar os benefícios das florestas priorizando a proteção das florestas nativas. As florestas antigas e maduras, em particular, possuem uma capacidade incomparável de regular temperaturas e ciclos hídricos, além de apresentarem menos impactos ecológicos negativos do que plantações florestais ou espécies exóticas. Em muitas regiões, elas representam algumas das soluções climáticas mais eficazes e econômicas disponíveis.

As iniciativas de restauração também devem ser planejadas estrategicamente, concentrando-se em áreas onde as árvores se desenvolvem naturalmente. Em regiões áridas ou semiáridas, o plantio inadequado pode reduzir a disponibilidade de água e até provocar efeitos indesejados de aquecimento. Já a ampliação da cobertura arbórea em áreas urbanas pode diminuir mortes relacionadas ao calor, reduzir o consumo de energia e melhorar a saúde pública.

“Quando falamos sobre florestas e clima, geralmente focamos no armazenamento de carbono. No entanto, as florestas já estão protegendo milhões de pessoas do estresse térmico ao reduzir temperaturas, melhorar as condições de trabalho e potencialmente evitar mortes relacionadas ao calor”, afirma o Dr. Luke Parsons, cientista especializado em modelagem climática aplicada da TNC. “O desafio é que esses benefícios dependem totalmente do contexto. O que funciona na Amazônia pode não funcionar em uma savana semiárida. Precisamos de soluções climáticas baseadas na natureza que sejam adaptadas à ecologia local e às necessidades das comunidades.”

Publicado originalmente em Cool Green Science
12 de fevereiro de 2026
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