Novo relatório Financing Nature 2026 apresenta caminhos para financiar a proteção da natureza em escala
Estudos de caso mostram como implementar projetos que funcionam
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O Paulson Institute, a The Nature Conservancy (TNC) e o World Wildlife Fund (WWF) lançaram o Relatório Financing Nature 2026
BaixarO Paulson Institute, a The Nature Conservancy (TNC) e o World Wildlife Fund (WWF) lançaram hoje o Relatório Financing Nature 2026: uma atualização de meio de década: do progresso isolado à implementação em escala, que ressalta a importância da proteção da biodiversidade e avalia a dimensão atual da lacuna de financiamento da natureza. Desde a publicação do primeiro relatório da série, em 2020, esse déficit quase dobrou, passando de US$ 711 bilhões para US$ 1,317 trilhão por ano.
Com base no conhecimento prático reunido em estudos de caso bem-sucedidos de mais de uma dezena de organizações parceiras, o Financing Nature 2026 apresenta exemplos comprovados de como reduzir a lacuna de financiamento e conter a perda de biodiversidade por meio da ampliação de soluções financeiras voltadas à natureza. O relatório não apresenta apenas dados, mas também caminhos para a ação.
Sempre acreditei que um planeta saudável é bom para os negócios e que prevenir danos ambientais custa muito menos do que repará-los depois. Hoje, em um único mês, os governos gastam mais com subsídios prejudiciais à natureza do que investem em sua proteção ao longo de um ano inteiro.
“Sempre acreditei que um planeta saudável é bom para os negócios e que prevenir danos ambientais custa muito menos do que repará-los depois. Hoje, em um único mês, os governos gastam mais com subsídios prejudiciais à natureza do que investem em sua proteção ao longo de um ano inteiro. Nenhuma outra medida liberaria tanto capital para a natureza quanto a reforma desses subsídios, e nenhuma está tão atrasada. Onde os governos acertaram nos incentivos, o capital começou a acompanhar”, analisa Henry M. Paulson Jr., presidente do Paulson Institute.
Financing Nature 2026 é lançado apenas uma semana antes da COP17, a Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade, que os autores descrevem como um “teste da determinação mundial em transformar seis anos de projetos-piloto e evidências em adoção ampla”. A pesquisa mostra que o problema não é a falta de instrumentos ou comprovação, mas de vontade política, somada a políticas prejudiciais que colocam em risco a natureza e as economias.
“A TNC ajudou a desenvolver modelos pioneiros que direcionam capital real para a conservação. Esses estudos de caso comprovam que podemos proteger a natureza e fazer as economias crescerem se contarmos com as pessoas e os programas certos. Isso exige que governos, empresas, investidores e nossos parceiros em campo alinhem seus planos de clima, natureza e desenvolvimento antes de comprometer os recursos, não depois. Não estamos começando do zero. Partimos de uma década de evidências sobre o que funciona e este relatório é um chamado para avançarmos a partir delas”, afirmou Jennifer Morris, CEO da The Nature Conservancy.
O relatório Financing Nature apresenta um roteiro para transformar projetos-piloto bem-sucedidos em implementação ampla, alinhando incentivos públicos, políticas e investimento privado. Os estudos de caso mostram, na prática, como instituições públicas e privadas contribuíram para avançar na proteção da natureza.
“Já não faltam mecanismos para financiar a natureza. Precisamos apenas implementá-los em escala, e com rapidez. Acordos de Financiamento de Projetos para Permanência (PFP, da sigla em inglês), mercados de carbono em amadurecimento, investimentos de impacto e outras abordagens oferecem caminhos promissores. Este relatório comprova que essas estratégias funcionam, mas também deixa claro que precisamos implementá-las no ritmo e na escala exigidos pela perda da natureza”, explicou Carter Roberts, presidente e CEO do World Wildlife Fund
Financing Nature 2026 foi elaborado com a colaboração de organizações parceiras, entre elas Bank of America, Conservation International com BTG Pactual, Goldman Sachs, Microsoft, Rare, Enosis Capital, International Crane Foundation e Endangered Wildlife Trust , Jocotoco, One Hundred Miles, Rare Systemiq, Temasek e The Nature Conservancy. Seus estudos de caso forneceram exemplos de projetos que estão funcionando. Com base nas soluções apresentadas nesses casos, o relatório aponta cinco recomendações centrais para ampliar soluções comprovadas de financiamento da natureza e transformar modelos bem-sucedidos em práticas globais:
1. Parar de financiar a destruição da natureza.
Os governos devem reconhecer que algumas de suas próprias políticas e despesas, incluindo subsídios, incentivos fiscais, garantias de empréstimos, compras públicas e investimentos em infraestrutura, contribuem ativamente para a perda da natureza. Esses recursos devem ser eliminados ou redirecionados. Para cada dólar investido na proteção da natureza, 30 são destinados à sua destruição. Reformar subsídios prejudiciais é uma das principais medidas para reduzir a lacuna. Ao mesmo tempo, é preciso continuar fortalecendo a responsabilidade ambiental dos investimentos privados e a aplicação da legislação ambiental.
2. Tratar a natureza como infraestrutura essencial, não como um recurso gratuito.
Os governos devem tratar a natureza como capital produtivo, um ativo do qual depende toda a economia, e alinhar a política econômica, o investimento público e a gestão de riscos à sua proteção.
3. Enfrentar as mudanças climáticas e a perda da natureza como uma única batalha.
Governos, empresas e investidores devem alinhar seus planos de clima, natureza, desenvolvimento e investimento antes de comprometer os recursos, não depois.
4. Tornar o investimento positivo para a natureza a escolha mais fácil.
Governos e órgãos reguladores devem criar condições políticas e de mercado que permitam ampliar o financiamento da natureza. Os Bancos Multilaterais de Desenvolvimento e as Instituições Financeiras de Desenvolvimento devem usar seus balanços e instrumentos para mobilizar investimentos.
5. Ampliar o que já funciona.
Empresas e instituições financeiras devem incorporar a natureza às suas estratégias, operações cotidianas, concessões de crédito e investimentos, além de ampliar as abordagens que já apresentaram resultados.
“Nenhuma dessas prioridades precisa esperar pelas condições perfeitas”, acrescenta Hank Paulson. “Todas podem começar agora, com as instituições e os instrumentos de que já dispomos, e cada uma se torna mais viável à medida que as demais avançam. O que se exige agora não é conhecimento novo, mas vontade política e liderança contínua para agir com base no que já sabemos.”