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Peixes Esquecidos da Amazônia:

Avaliação inédita da bacia confirma a extraordinária biodiversidade de água doce da Amazônia e alerta: é urgente conservar esse ecossistema vital já.

Uma pessoa segura um peixe pequeno de nadadeiras grandes nas mãos.
Peixes Esquecidos da Amazônia Cascudo do Rio Negro. © Ricardo Oliveira

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  • A The Nature Conservancy lidera a mais recente edição da série de relatórios Peixes Esquecidos, que confirma a condição da Bacia Amazônica como a bacia hidrográfica com a maior biodiversidade do planeta e destaca o papel fundamental, embora muitas vezes pouco reconhecido, que as mais de 2.700 espécies de peixes de água doce desempenham na conservação, na produtividade econômica e na identidade cultural.
  • Ao contrário de estudos anteriores, voltados à biodiversidade, o relatório mais recente reúne as vozes de povos indígenas e comunidades locais para explorar suas relações com os peixes de água doce, ressaltando seu papel insubstituível como guardiões na conservação do futuro do rio e de sua biodiversidade.
  • Em um momento de aceleração das ameaças à Bacia Amazônica decorrentes de diversos impactos causados pela atividade humana, os autores destacam que a janela de oportunidade para conservar um dos maiores e últimos ecossistemas de água doce remanescentes do mundo, enquanto ainda está em pleno funcionamento, está se fechando rapidamente

ARLINGTON, VIRGÍNIA – Diante da previsão de um evento de “Super El Niño” que ameaça causar impactos de longo prazo na Bacia Amazônica, a The Nature Conservancy (TNC) e seus parceiros publicaram hoje um relatório inédito que destaca tanto a incrível biodiversidade de peixes de água doce da emblemática Bacia Amazônica quanto a dimensão da oportunidade de conservação para as pessoas e a natureza. 

O relatório Peixes Esquecidos da Amazônia revela que a vasta bacia hidrográfica abriga mais de 2.700 espécies de peixes registradas, o equivalente a cerca de uma em cada sete espécies de peixes de água doce do planeta, consolidando sua condição como o sistema de água doce com a maior biodiversidade do mundo.

Quarta edição da reconhecida série de estudos Peixes Esquecidos, o relatório reúne contribuições de mais de 50 colaboradores de 30 organizações e conclui que, sobretudo, a Amazônia continua sendo um dos últimos ecossistemas de água doce de relevância global onde ainda é possível evitar a perda de biodiversidade em larga escala.

O relatório também representa a primeira análise de toda a Amazônia a combinar evidências científicas e conhecimento ecológico tradicional, revelando o papel vital dos peixes de água doce na manutenção dos ecossistemas, da segurança alimentar, das culturas, dos meios de subsistência e das economias em toda a bacia.

Abordagens de conservação colaborativas e centradas nas comunidades são essenciais diante dos inúmeros riscos à Bacia Amazônica causados pela atividade humana e destacados no relatório. Entre as diversas ameaças estão o desenvolvimento hidrelétrico, o desmatamento, a poluição, a pesca excessiva e as mudanças climáticas, que, em conjunto, interrompem a conectividade dos rios, fragmentam os habitats da vida selvagem, alteram os padrões naturais de fluxo e degradam a qualidade da água, prejudicando a biodiversidade única da região e os meios de subsistência de milhões de pessoas. O relatório alerta que, embora exista uma importante oportunidade de conservação caso as ações sejam rapidamente intensificadas, a falta de uma atuação coordenada em toda a bacia pode fazer com que a Amazônia siga o mesmo caminho de outros sistemas fluviais profundamente alterados, levando a um declínio ecológico significativo.

Ao comentar a publicação do relatório, Fernanda Silva, autora principal e cientista de conservação da pesca de água doce na Amazônia da TNC, afirmou: “Em todo o mundo, os esforços de conservação estão cada vez mais voltados à restauração dos ecossistemas depois que os danos já ocorreram. Ao contrário da narrativa predominante na mídia, nosso estudo confirma que a Amazônia oferece uma oportunidade diferente: proteger um sistema de água doce de importância global enquanto ele ainda está em pleno funcionamento. Nosso relatório também mostra como iniciativas centradas na gestão indígena, em áreas protegidas e na colaboração em toda a bacia já estão gerando resultados que, embora ainda precisem ser fortalecidos e ampliados, representam um modelo para o futuro da conservação da água doce não apenas na Amazônia, mas em todo o mundo.”

O relatório ressalta até que ponto a extraordinária biodiversidade de água doce da Bacia Amazônica é protegida pela liderança indígena, com povos indígenas e comunidades tradicionais e locais reunindo conhecimentos ecológicos acumulados ao longo de gerações. As práticas indígenas de governança protegem muitos dos rios mais preservados e biodiversos da bacia, mantendo a conectividade fluvial diante de pressões cada vez maiores. Essa liderança, em conjunto com os paradigmas de conservação de base ocidental, exemplifica algo que já sabemos ser verdade: apoiar os direitos dos povos indígenas e das comunidades tradicionais e locais é fundamental para conservar a biodiversidade, manter ecossistemas resilientes e garantir comunidades prósperas para as próximas gerações, não apenas na Amazônia, mas em todo o planeta.

“Para os povos indígenas, os peixes não são simplesmente um recurso. Eles fazem parte da nossa identidade, dos nossos sistemas alimentares, das nossas histórias e da nossa relação com os rios vivos. Qualquer estratégia para conservar a Amazônia deve reconhecer os direitos territoriais indígenas, respeitar os conhecimentos ancestrais e fortalecer a liderança indígena na proteção das águas que conectam toda a bacia”, afirmou Fany Kuiru Castro, coordenadora-geral da COICA e autora do relatório Peixes Esquecidos da Amazônia.

Ao apresentar sua perspectiva sobre o relatório, Paula Caballero, diretora administrativa regional da TNC para a América Latina e uma das principais figuras na criação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, afirmou: “O relatório deixa claro que proteger os sistemas de água doce da Amazônia não é apenas um imperativo ambiental, mas também uma necessidade econômica e social. Ele apresenta um roteiro de ação que reúne governos, investidores, cientistas e povos indígenas em torno de um objetivo comum: manter uma bacia resiliente e conectada, capaz de sustentar a biodiversidade, os meios de subsistência e a prosperidade regional.”

Para baixar o relatório completo Peixes Esquecidos da Amazônia, acesse Nature.org/br.