Fazenda de abacate nas montanhas de Persea, apoiada pelo Fundo de Impacto Hídrico Sustentável da RRG.
RRG SWIF Avocado Farm Avocado Farm in Persea supported by RRG Sustainable Water Impact Fund © Juan Pablo Reyes | RRG Capital Management LLC

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Investimento privado em natureza cresce cinco vezes em uma década

Mais de US$ 60 bilhões foram mobilizados entre 2016 e 2025, sendo US$ 15,3 bilhões em investimentos direcionados à América Latina e Caribe.

A intensificação dos riscos climáticos está levando investidores a reconhecer florestas, rios, solos e ecossistemas como infraestruturas essenciais para a proteção de ativos e cadeias produtivas e a resiliência econômica. Esse movimento fica evidenciado no relatório global Gaining Ground: State of Private Investment in Nature 2026, produzido pela The Nature Conservancy (TNC) e pela Forest Trends, que mostra que o volume anual de investimentos privados em natureza cresceu cinco vezes entre 2016 e 2025.

Mais de US$ 60 bilhões foram mobilizados no período, US$ 14 bilhões somente em 2025. Os investimentos mapeados alcançam aproximadamente 105 milhões de hectares, área equivalente a duas vezes o território da Espanha.

A América Latina e o Caribe, incluindo o México, foram o segundo principal destino desses recursos no mundo, atrás apenas da América do Norte. A região recebeu US$ 15,3 bilhões entre 2016 e 2025, o equivalente a 28% do capital cuja destinação geográfica pôde ser identificada.

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Acesse o estudo "Gaining Ground: State of Prrivate Investment in Nature".

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Segundo o estudo, o Brasil ocupa uma posição central nesse movimento devido à sua relevância na produção de commodities agrícola, silvicultura e serviços ecossistêmicos, além de reunir ecossistemas de muita relevância como a Amazônia e o Cerrado, capacidade institucional e projetos capazes de receber investimentos em escala.

“Este relatório mostra que investidores institucionais estão investindo na natureza”, afirmou Jennifer Morris, CEO da The Nature Conservancy. “Não surpreendentemente, os investidores estão aproveitando essa oportunidade por meio de setores e mercados que conhecem, que é exatamente como um espaço como esse se desenvolve. Também vemos o surgimento de novas estruturas e abordagens para atender às expectativas dos investidores — e se traduzir em investimentos concretos. A ampliação dessa escala exigirá sinais de políticas públicas mais duradouros e uma demanda maior por produtos como créditos de carbono verificados e de alta qualidade e commodities produzidas de forma sustentável.”

Cerrado como laboratório

O Cerrado é apresentado como um dos principais laboratórios dessa transformação. Um dos casos analisados é o Responsible Commodities Facility – ‘RCF’, mecanismo que oferece crédito mais barato a produtores de soja comprometidos com o desmatamento zero e com a proteção da vegetação nativa para além das exigências legais.

A iniciativa já captou US$ 129,2 milhões e alcançou 270 mil hectares entre 2022 e 2026, contribuindo para a proteção de 90 mil hectares de vegetação nativa e a conservação de estoques correspondentes a aproximadamente 22 milhões de toneladas de CO₂ equivalente. Os produtores participantes tiveram redução de cerca de 20% no custo do financiamento.

Outro caso reúne Brasil e Uruguai em uma estratégia que captou US$ 1,24 bilhão para reflorestamento e produção florestal sustentável. Apenas no Brasil, cerca de 30 milhões de árvores foram plantadas em mais de 27 mil hectares. Os números do projeto incluem tanto áreas de restauração quanto de plantios florestais certificados como sustentáveis por uma entidade independente.

O modelo também prevê conservação e geração de créditos de carbono, combinando diferentes fontes de receita para atrair investidores a projetos relacionados à natureza. 

Natureza como estratégia de proteção contra riscos climáticos e econômicos

Os exemplos brasileiros refletem uma mudança mais ampla identificada pelo relatório. A conservação começa a deixar de ser vista apenas como uma iniciativa ambiental ou filantrópica e passa a integrar estratégias de proteção contra riscos climáticos e econômicos. Entre os participantes da pesquisa, 88% esperam uma relação positiva entre retorno financeiro e impacto ambiental.

O crescimento, porém, permanece muito distante da necessidade global. O estudo aponta uma lacuna de US$ 700 bilhões por ano no financiamento da natureza e mostra que biodiversidade, recursos hídricos e restauração ainda encontram dificuldades para atrair recursos em escala.

A ausência de modelos de receita consolidados, padrões comparáveis e segurança regulatória mantém grande parte desses investimentos dependente da participação do setor público e do capital concessional.

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Descubra para onde os investimentos estão indo, o que tem gerado resultados e o que é necessário para ampliar o financiamento da conservação

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