Uma silueta de floresta na frente de um céu colorido.
Trees Against Sunset A forest of trees silhouetted against a colorful sky. © Joe Ciciarelli

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O último relatório do IPCC: O que é e por que ele é importante?

A ONU lançou um novo relatório sobre mudanças climáticas, veja o que ele diz e o que você pode fazer a respeito.

O IPCC lançou seu novo relatório de clima, construído com base de um relatório anterior lançado em fevereiro. Mas o que exatamente é o IPCC? O que esse relatório significa? Qual a diferença desse relatório para relatórios anteriores? A nossa situação é tão ruim quanto algumas manchetes de jornais fazem parecer?

Preparamos este guia para ajudar a entender o que é esse novo relatório sobre mudanças climáticas, o que ele significa para o planeta e o que podemos fazer com base nas informações que foram levantadas.

O que é o IPCC e o que eles fazem?

IPCC é o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. O IPCC é o grupo de cientistas estabelecido pelas Nações Unidas para monitorar e assessorar toda a ciência global relacionada às mudanças climáticas. Todos os relatórios do IPCC  focam em diferentes aspectos das mudanças climáticas.

Este último relatório é a terceira parte do 6º relatório de avaliação do IPCC (AR6 WGIII). Ele reúne os mais recentes conhecimentos sobre mudanças climáticas, as ameaças que já estamos enfrentando hoje,  e o que podemos fazer para limitar aumentos de temperatura ainda maiores que causarão perigos para todo o planeta. Este relatório tem foco em impactos de clima, adaptação e vulnerabilidade. O último relatório (AR6 WGIII) foca em como podemos limitar as mudanças climáticas. O relatório lançado em fevereiro, do segundo grupo de trabalho (AR6 WGII), teve foco nos impactos de clima, adaptação e vulnerabilidade.

O que eu devo saber sobre o último relatório do IPCC?

Este mais recente relatório do IPCC mostra algumas coisas parecidas com o anterior, que talvez você já saiba: que as mudanças climáticas já estão causando eventos climáticos mais drásticos e frequentes, como tempestades, alagamentos, secas, incêndios florestais e outros fenômenos climáticos extremos. Mas cada relatório inclui informações científicas mais recentes e detalhadas, descrevendo impactos atuais e  prevendo tendências futuras com mais exatidão.

O último relatório  do IPCC mostra que as emissões de gases caudasores do aquecimento global continuam aumentando, e que os planos e metas atuais para combater as mudanças climáticas não são ambiciosos o suficiente para limitar o aumento de temperatura em 1.5ºC em comparação com o período pré-industrial, uma variação máxima que os cientistas acreditam que pode evitar impactos ainda mais catastróficos.

O que é particularmente preocupante nos destaques do último relatório do IPCC é que essas emissões não são bem distribuídas, com os países mais desenvolvidos sendo responsáveis de forma disproporcional por mais emissões do que os países em desenvolvimento, mesmo com os países em desenvolvimento enfrentando impactos climáticos mais severos, como apontado no relatório de fevereiro.

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Mas então, existe alguma esperança?

Sim. As mundanças climáticas estão aqui hoje, transformando nosso mundo de todas as formas. Mas isso não quer dizer que nosso futuro já está definido. Nós ainda temos a capacidade de limitar futuros aumentos de temperatura, e trabalhar em colaboração com comunidades ao redor do mundo na adaptação das mudanças que já aconteceram. Cada fração de gau de aquecimento faz diferença quando falamos nos impactos futuros das mudanças climáticas.

Precismos acelerar a transição global para energia limpa e alcançar o zero líquido em emissões o mais rápido possível. Mas como o último relatório nos mostra, nós não precisamos só cortar emissões, temos também que remover parte do carbono que já está na atmosfera. Por sorte, a natureza criou uma tecnologia poderosa que faz isso: a fotossíntese. As plantas absorvem carbono do ar naturalmente e o armazenam em suas raízes e no solo. De fato, o trabalho de nossas aliadas verdes podem equivaler a algo perto de um terço da redução emissões necessárias para ficar abaixo da variação de 1.5ºC.

A coisa mais urgente que podemos fazer para ajudar a natureza a lutar contra às mudanças climáticas é proteger habitats naturais ao redor do mundo que armazenam bilhões de toneladas de carbono. Nós podemos também ajudar alterando a forma como manejamos áreas produtivas, como propriedades rurais, para que elas retenham mais carbono e restaurem os habitats naturais em áreas que foram desmatadas ou degradadas.

O que podemos fazer para combater às mudanças climáticas?

Um desafio global como as mudanças climáticas requer soluções globais. E para isso precisamos construir movimentos e ações efetivas no chão, assim como transformações políticas e econômicas. Aqui estão algumas coisas que comunidades, governos e o setor privado podem fazer:

Comunidades

  • Quando falamos de combater às mudanças climáticas, não podemos alcançar ações efetivas sem a liderança de Povos Indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais
  • Essas comunidades são alguns dos mais importantes protetores do carbono vivo, já que as áreas manejadas por comunidades tem taxas de desmatamento muito menores do que áreas protegidas pelos governos. De fato, Terras Indígenas abrigam 80% da biodiversidade remanescente no mundo e 17% do carbono florestal do planeta.
  • Para apoiar Povos Indígenas a manterem seu papel crucial, governos precisam reconhecer formalmente seus direitos à terra e uso de recursos, e os financiamentos para ação climáticas devem incluir ações de apoio às comunidades.

Governos

  • O último relatóriodo IPCC mostra que apenas 24 países no mundo estão reduzindo suas emissões. Todos países, mas em especial os mais desenvolvidos que geram mais emissões, devem criar planos de ação mais ambiciosos para elminar emissões e absorver carbono da atmosfera.
  • Uma maneira efetiva de fazer isso é investir mais na natureza. O IPCC estima que pode custar $400 bilhões para fazer mudanças na agricultura e outros usos de terra para limitar emissões. Parece muito, mas é menos do que os subsídios que esses setores já recebem hoje dos governos.
  • A melhor parte? Muitas dessas soluções climáticas naturais beneficiam a sociedade de outras formas, como melhorando a qualidade da água ou do ar, gerando renda, produzindo mais alimentos e protegendo a diversidade da vida que todos nós dependemos.

Setor Privado

  • Assim como os governos, o setor privado deve se comprometer em alcançar zero emissões líquidas em suas operações. Empresas precisam parar de emitir carbono para a atmosfera.
  • A forma mais direta de fazer isso é mudar para fontes de energia limpa. transição para fontes renováveis proporciona baixo custo, baixas emissões e menor risco de conflitos para alcançar as necessidades globais sem ameaçar a natureza e comunidades.
  • Os setores que têm dificuldade para reduzir suas emissões hoje, como companhias aéreas, devem encontrar formas de compensar seu impacto.
  • Mercados de carbono são uma maneira de fazer isso. Eles permitem que o setor privado, e outros emissores de carbono, comprem créditos pelas suas emissões inevitáveis, que pagam para proteger áreas que estariam ameaçadas sem esses recursos direcionados para conservação ou restaurar áreas que não poderiam se regenerar.

O que eu posso fazer como indivíduo sobre as mudanças climáticas?

  • Aprender como falar sobre mudanças climáticas: Todos nós podemos ajudar a engajar e educar outras pessoas. Nosso guia vai ajudar a se sentir confortável  levantando estes tópicos na mesa de jantar com a família e os amigos. Baixe nosso guia de como falar sobre mudanças climáticas (em inglês).
  • Compartilhe suas ideias: Compartilhe esta página em suas redes sociais, assim outros poderão ver o que fazer também. Acompane as hashtags #IPCC #MudancasClimaticas #NaturezaJa
  • Participe de ações coletivas: Falando coletivamente nós podemos influenciar ações climáticas em nível nacional e global. Você pode adicionar o seu nome para estar junto com a The Nature Conservancy no chamado por soluções reais agora.
  • Continue aprendendo: Eduque-se e compartilhe conhecimento. Você pode começar com alguns desses artigo e conteúdos.